GABRIELA BILÓ|ESTADÃO
GABRIELA BILÓ|ESTADÃO

Com prova conteudista, segundo dia de Enem apresenta maior dificuldade

Neste domingo, candidatos fizeram as provas de Ciências da Natureza e Matemática

Bianca Gomes, Isabela Giantomaso, Pedro Prata, especiais para o Estado, O Estado de S.Paulo

11 Novembro 2018 | 18h05

SÃO PAULO - O segundo dia de provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2018 teve maior nível de dificuldade em relação a outros anos, com questões que abordaram a genética das plantas, o uso de combustíveis em veículos e até a teoria das eleições. É o que apontaram especialistas ouvidos neste domingo, 11, pelo Estado. Os candidatos resolveram 90 questões de Matemática e Ciências da Natureza – que engloba as disciplinas de Química, Física e Biologia. 

De acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), que organiza o exame, esta foi a melhor aplicação da prova desde 2009, quando o Enem assumiu o formato atual. “Pela primeira vez não será necessária uma reaplicação de prova em função de problemas logísticos e de aplicação”, destacou o instituto, em nota.

Na avaliação dos coordenadores de cursinhos, poucas questões poderiam ser resolvidas apenas com base em interpretação de texto, o que elevou o nível de dificuldade da prova. Química e Biologia foram consideradas as mais difíceis do Exame, enquanto Matemática foi a mais fácil. 

“O Enem de hoje é diferente do passado, muito mais conteudista. O aluno precisa conhecer a matéria com aprofundamento maior”, afirma o coordenador do cursinho Etapa, Marcelo Dias Carvalho. Segundo ele, foram menos questões de interpretação de texto. 

O uso de termos acadêmicos também dificultou a prova do segundo dia, explica o coordenador pedagógico do objetivo, Nelson Dutra.  “Não é uma linguagem comum no ensino médio, o que causa uma dificuldade não só ligada à matéria, mas ao vocabulário.”

O tempo extra de 30 minutos na edição deste ano deve ser um fator favorável, levando em conta que o sistema de correção da prova dá mais valor para as questões fáceis e médias, afirma o diretor executivo do Cursinho da Poli, Gilberto Alvares. “Os candidatos puderam usar esse tempo para responder um número maior das perguntas mais fáceis.” 

Veja o que disseram os professores:


Química

Para o professor do curso online Descomplica, Allan Rodrigues, a prova de Química teve menos questões de cálculo e foi mais simples do que no ano passado. As duas únicas questões que exigiam contas eram sobre termoquímica. Uma delas envolvia combustíveis fósseis, tema já recorrente no exame, e a outra era relacionada com estequiometria. As poucas questões de cálculo tornaram a prova mais fácil, segundo Rodrigues. "O aluno tem mais tempo nas questões teóricas, isso foi muito bom. As contas que caíram foram mais fáceis, fato que não acontecia na história do Enem. Neste ano, as divisões eram fáceis e perfeitas."

Caíram outros assuntos recorrentes na prova, como detergente, hidrólise salina e combustível fóssil - nesta, tratava do craqueamento do petróleo. Para o professor, uma questão sobre reação orgânica é uma das que os alunos tiveram mais dificuldade para resolver.

A novidade da prova na disciplina, diz, foi uma questão de distribuição eletrônica, que o professor aponta que nunca havia caído no Enem. No texto, o tema é relacionado com tabela periódica, também pouco utilizada na prova. “É difícil ter perguntas sobre tabela periódica no exame, pois não há imagem dela para consulta. Desta vez, não precisava necessariamente consultá-la. Foi uma questão muito bem feita”.

Biologia

A professora do curso online ProEnem, Isabela Santos, achou a prova de Biologia conteudista. "Mas isso não dificultou a prova, pois ela trouxe questões curtas e com gráficos e figuras que ajudaram o estudante." A professora destaca que os temas mais cobrados foram genética, citologia, fisiologia e plantas. “A prova veio valorizando muito as plantas e a agricultura, de fato”, afirma Isabela.

O tema de citologia abordou o funcionamento da célula diante de uma glicemia e uma pergunta sobre divisão celular. Nesta questão, a dificuldade maior era com a proteína P53, pouco conhecida dos estudantes.Uma outra questão de citologia citava o uso de peroxissomos para a redução de toxidagem na fabricação do jeans.

Outro grande tema que caiu na prova foi código genético e especiação. Em uma das perguntas, pedia-se a identificação genética das plantas que geraram uma semente - o exercício foi considerado pelos professores como um dos mais difíceis na área.

Matemática

A prova de Matemática seguiu o padrão de edições anteriores, diz a professora de Matemática do Descomplica, Luanna Ramos. “Os conteúdo favoritos apareceram: probabilidade, análise combinatória, geometria espacial, razão e proporção.”

Para a educadora, poucas questões apresentaram grau maior de dificuldade. Por isso, os alunos que seguiram a orientação de responder as questões médias e fáceis primeiro poderão ter mais acertos. 

Luanna acredita que muitos alunos podem ter se surpreendido com a questão de matrizes. "Não era uma questão difícil, mas o aluno precisava entender a linguagem de matrizes e, a partir da interpretação, realizar o exercício.”

Muitas questões não exigiam conhecimentos específicos e poderiam ser resolvidas apenas com interpretação dos textos e gráficos, explica o professor de Matemática do sistema de ensino COC, Felipe Freire. "Foi uma prova cansativa que precisava de atenção. A falta dela faria o aluno cair em pegadinhas.”

Física

As questões de Física apresentaram grau de complexidade médio, segundo o professor do Cursinho da Poli, Francisco Flávio. “Considerando que o aluno tenha um preparo mínimo para o exame, teria como acertar de cinco a sete questões da área”.

Uma das questões que mais chamou a atenção dos especialistas era sobre alavancas e exigiu conhecimentos em força potente e força resistente, além de interpretação de texto. “A questão descrevia muito bem o que era e quais eram as ferramentas, mas o aluno precisava conhecer o conceito e ficar atento ao que foi dado no enunciado”, analisa Flávio.

Para o professor do Descomplica Leonardo Gomes, a prova  foi mais tranquila que a dos últimos anos, que apresentaram questões com maior grau de complexidade. “Não foi uma prova fácil, mas trouxe temas com conteúdo padrão, já esperado, como eletrodinâmica, mecânica e ótica.”

Considerada uma questão clássica, os alunos também precisaram aplicar os conhecimentos em pressão e densidade. Na pergunta, a força de sucção em dois canudos, um fora e um dentro do líquido, era comparada para analisar a dificuldade em beber o suco.

Segundo  Gomes, apesar de algumas questões exigirem mais tempo de raciocínio e interpretação, muitas perguntas exigiam apenas que o aluno soubesse a fórmula de potência e corrente, por exemplo. “A maioria era direta, em que quem tinha a fórmula na cabeça poderia resolver facilmente”.

Professor de física do ProEnem, Ricardo Fagundes também ressalta uma questão de eletricidade que trabalhou resistência não ôhmica. “Nesse caso, os alunos tinham que mostrar conhecimento da 1ª lei de Ohm e certa habilidade de leitura de gráfico.”

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.