Geisy deve ir à Justiça para ter o direito de fazer provas em casa

Ela diz que não tem condições psicológicas de voltar à Uniban e já recebeu convites de outras universidades

Carolina Stanisci, Especial para O Estado de S. Paulo

10 Novembro 2009 | 20h43

Com um vestido azul longo e decote discreto, a estudante do 1.º  ano de Turismo da Uniban Geisy Arruda esteve na redação do Estado nesta terça-feira para uma entrevista e uma conversa com a procuradora de Justiça Luiza Nagib Eluf. Luiza é autora de livros sobre a violência contra a mulher, como A paixão no banco dos réus. Geisy foi ofendida por colegas da Uniban por ter usado um vestido curto no câmpus. A universidade anunciou no fim de semana a expulsão de Geisy, por suposto comportamento inadequado, mas recuou, em virtude da repercussão do caso.    O Estadão.Edu conversou com a estudante, que revelou que não pretende voltar a estudar na universidade. "Não tenho condição psicológica de voltar", diz. Temendo por sua segurança ("algum aluno pode me fazer mal lá") e citando sempre seu advogado, Geisy contou que vai pedir na Justiça a possibilidade de fazer em casa as provas, até o final do semestre.   A estudante também contou que foi convidada a ser aluna de duas instituições de ensino de fora de São Paulo. "Recebi propostas. Uma acho que é de Santa Catarina, a outra eu não lembro se é de Rio Preto. Meu advogado sabe", afirmou. Geisy, porém, não sabe se deixaria a casa dos pais, em Diadema, apesar de temer por sua segurança. Depois de aparecer tanto na televisão, ela acredita que pode ser vítima de alguma violência, como sequestro. "A gente ouve umas conversas. Mas não recebi cachês."   Sobre a possibilidade de voltar a estudar no ano que vem, Geisy é vaga: "No momento, minha prioridade é encerrar essa história na Uniban". Apesar de ficar com a voz embargada ao lembrar do episódio na universidade, quando centenas de colegas a chamaram de "puta" e a ameaçaram de estupro, Geisy se descontraiu ao falar de sua última aquisição, o vestido que usou na visita à redação. Foi comprado fiado em uma loja próxima à sua casa.    "Quando entrei na universidade, eu era como qualquer vestibulando. Não sabia o que fazer." Turismo foi uma escolha fácil para a estudante. Havia a possibilidade de viajar bastante e poder trabalhar em lugares variados, como resorts e agências de turismo. "O Brasil tem turismo forte. E é legal estudar."   Outra novidade em sua vida são os advogados. Ela nunca havia tido contato tão intenso com o mundo jurídico. Gostaria de prestar vestibular para Direito? "Não. Eu não teria esse sangue-frio". Mas, na hora de contar sobre suas peripécias durante a sindicância, Geisy fala como uma jurista: "Não recebemos cópia de nenhum dos depoimentos". Sobre os alunos que foram seus algozes na universidade, ela reserva uma crítica: "Alguns estão mudando de opinião", conta ela, lembrando que uma das meninas que teria visto ela se abaixar para mostrar seu corpo, já teria voltado atrás, em depoimentos a programas de televisão.   Por falar em televisão, Geisy despista sobre convites para programas como "A Fazenda" ou sobre a possibilidade de posar nua na revista "Sexy". A prioridade, agora, é enterrar seu passado na Uniban. 

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