Garoto 'superdotado' chegou a ser medicado por transtorno de comportamento

Escolas o tratavam como indisciplinado ou hiperativo e ele só foi identificado como alguém com altas habilidades aos 7 anos; hoje, aos 15, ainda enfrenta falta de apoio no ensino

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S.Paulo

08 Abril 2018 | 03h00

A líder de limpeza Luzia Ribeiro dos Santos, de 39 anos, frequentou reuniões semanais na escola do filho durante anos para tratar de questões de indisciplina até descobrir que ele tem altas habilidades. O garoto, hoje com 15 anos, chegou a ser diagnosticado com transtorno de comportamento por um psiquiatra de um hospital público e a tomar remédios de faixa-preta. 

Também foi confundido com uma criança com hiperatividade – problema apontado no relatório do Ministério da Educação sobre as dificuldades que existem no Brasil hoje para identificar e desenvolver alunos superdotados. Desde os 6 anos, entra em atrito com colegas e até mesmo com professores. “Ele era muito agitado e até um pouco agressivo”, relata Luzia. Até um abaixo-assinado foi feito contra o menino. “Achavam que era falta de disciplina, um problema de família.”

Por sugestão da escola municipal onde estudava, a mãe procurou a Associação Paulista para Altas Habilidades/Superdotação para realizar testes para identificar superdotação – processo que só se efetivou quando o garoto já tinha 7 anos. No entanto, mesmo com o diagnóstico, diz ela, o colégio não mudou a abordagem. “Não havia profissionais preparados para trabalhar com ele.”

O problema na escola se estendeu até o último ano do ensino fundamental. E continua até hoje, com o adolescente já matriculado em uma escola estadual no extremo sul da capital paulistana, onde cursa o ensino médio. “Não tem nenhum apoio. Ele só está lá porque não posso deixá-lo fora da escola. Se pudesse, o deixaria nas mãos de pessoas realmente preparadas.”

Luzia afirma que entregou todos os laudos do filho no início de 2017. Procurada, a Secretaria Estadual da Educação diz que não recebeu o documento. A pasta e a Secretaria Municipal de Educação informaram que não receberam o laudo que identifica altas habilidades no aluno. A entrega do documento não é obrigatória por lei.

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