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Fuvest tem o menor número de inscritos dos últimos 6 anos

Neste ano, 21% das vagas da USP serão preenchidas por meio do Enem; Fuvest teve 136,7 mil inscritos, número é o menor desde 2011

Isabela Palhares e Júlia Marques, O Estado de S. Paulo

10 Novembro 2016 | 14h15

SÃO PAULO - A Fuvest, principal forma de ingresso na Universidade de São Paulo (USP), teve 136.736 inscritos neste ano. O número é o menor desde 2011 - quando 132,9 mil se inscreveram. Em relação ao ano passado, houve queda de 4,2% de candidatos. 

Neste ano, a Fuvest vai ofertar uma quantidade menor de vagas do que nas edições anteriores. Das 11.072 vagas ofertadas pela USP, 2.338 (cerca de 21%) serão disputadas pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).  É a segunda vez que a USP usa a prova federal como um método seletivo e ampliou em 57% o número de vagas ofertadas dessa maneira, em relação ao ano passado. 

A queda de inscritos na Fuvest é ainda maior entre os alunos de escola pública. Neste ano, 40,3 mil candidatos que se inscreveram estão incluídos no Inclusp, programa de bonificação da instituição para incentivar a participação de estudantes da rede pública - uma queda de 5,9% em relação ao ano passado, quando o programa incluiu 42,8 mil. 

A USP não adota cotas sociais ou raciais, apenas a bonificação. A universidade tem como meta ter 50% dos calouros vindos da escola pública até 2018.

Segundo o diretor-executivo da Fuvest, Paulo Sérgio Cugnasca, a diminuição do número de inscritos "não necessariamente" tem relação com a maior procura dos candidatos por vagas disponibilizadas pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). 

"Existem vários fatores que podem influenciar a procura dos candidatos, inclusive um deles é a própria situação momentânea do País. Mas o número de inscritos deste ano está dentro da média dos outros anos, dentro da flutuação normal", disse. 

Em relação à queda do número de inscritos de escola pública, Cugnasca diz que a diminuição é proporcional à de inscritos de modo geral. "Está na mesma proporção de anos anteriores. Há pequenas flutuações".

Ao usar o Enem para a seleção em algumas das vagas, a universidade pretendia aumentar o nível de inclusão. No entanto, houve queda no porcentual de inclusão em comparação com 2015. No ano passado, os estudantes ingressantes de escola pública representaram apenas 34,6%.  Em 2015, eles representavam 35,1% dos ingressantes.

Em julho, o pró-reitor de graduação, Antônio Carlos Hernandes, disse que a previsão é de que, se mantida a proporção de ingressos de escola pública pela Fuvest, a universidade alcance em 2017 40% de alunos oriundos da rede pública de ensino.

Para a especialista em ensino superior da USP, Elizabeth Balbachevsky, o uso do Enem para o preenchimento de parte das vagas da USP fez com que a Fuvest se tornasse muito menos "atraente", especialmente para candidatos de classe média e de outras cidades e Estados.

"Primeiro, tem a própria crise que afetou principalmente famílias de classe média baixa. Muitos que estudam em escolas particulares mais baratas não recebem a isenção da taxa e por isso podem ter optado apenas pelo Enem. Em segundo lugar, porque a Fuvest é uma prova muito difícil e complexa que exige uma prepação específica. Muitos podem ter optado por focar apenas no Enem", disse Elizabeth. 

Para ela, o mais preocupante é a queda no número de alunos de escola pública inscritos para a Fuvest. "É possível que em um ou dois anos, a USP seja obrigada a rever sua estratégia para inclusão", disse. 

Concorrência. Apesar da queda de inscritos, a disputa por vagas em alguns dos cursos mais concorridos da Fuvest foi acirrada. Em Medicina em Ribeirão Preto, a relação candidato/vaga passou de 71,9 para 75,6 neste ano. Relações Internacionais também teve aumento e passou de 43 para 46,7 candidatos concorrendo para uma vaga do curso. 

Apenas três unidades da USP não reservaram uma parcela de vagas do vestibular a serem preenchidas pelo Enem: a Faculdade de Medicina, o Instituto de Física e a Escola de Engenharia de São Carlos.

 

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