Fundo Nacional das Artes começa programa de leitura nos EUA

O Fundo Nacional para as Artes (NEA) dos Estados Unidos anunciou nesta terça-feira a criação do programa "The Big Read" (A Grande Leitura), que vai patrocinar grupos de leitura comunitários no país. Assim como o programa do NEA "Poetry Out Loud" (Poesia em Voz Alta), uma competição nacional que foi criada no ano passado, a nova iniciativa é uma reação ao estudo "Reading at Risk" (A Leitura em Risco) realizado pela organização em 2004, que reportou um declínio dramático na leitura. Em uma entrevista recente, o presidente do NEA, Dana Gioia, disse que os livros possuem benefícios que vão além do entretenimento de uma boa história. "Existe todo um aspecto social na leitura que os intelectuais costumam deixar de fora", disse Gioia, poeta e ensaísta. "Eu sei que gosto de ler algo especializado, mas muitos de nós também querem ler livros pois é uma maneira de unir as pessoas, e esse é um sentimento cívico e pessoal muito saudável". Graças ao clube do livro de Oprah Winfrey e à popularidade geral de grupos de leitura, várias faculdades e cidades organizaram nos últimos anos programas para a discussão de apenas uma obra. O NEA separou US$ 4 milhões para o primeiro ano do "The Big Read" e espera distribuir quantias entre US$ 10 mil e US$ 20 mil a cem comunidades, com contribuições vindas também do Instituto de Serviços Bibliotecários e de Museus, uma agência independente do governo, e a Arts Midwest, organização regional sem fins lucrativos. Entre os livros recomendados estão favoritos desses grupos de leitura como O Sol é Para Todos, As Vinhas da Ira e O Clube da Felicidade e da Sorte. Gioia admitiu que essas obras são largamente conhecidas, mas que acredita que um grande número de pessoas ainda queria lê-los. "Nós sentimos que era melhor começar com clássicos de grande apelo", disse. "Escolhemos livros de diferentes gêneros, diferentes regiões, livros que sobreviveram ao tempo, obras do século 20 com apelo perene". Uma das recomendações é Fahrenheit 451, clássico de ficção científica de Ray Bradbury sobre uma sociedade na qual os livros são banidos e ninguém se importa. "A obra de Bradbury é um ótimo livro para ilustrar os problemas que esse programa está tentando mostrar", disse Gioia. "Outra coisa boa é que é uma ficção científica. Homens gostam de ficção científica, e a leitura entre eles caiu mais depressa que entre as mulheres".Gioia disse que a lista de possíveis escolhas será expandida e que o NEA formou um "Círculo de Leitores" para fazer as seleções, incluindo entre os membros o autor e jornalista Jim Lehrer, o ensaísta Pico Iyer e o poeta Marilyn Nelson.

Agencia Estado,

09 de maio de 2006 | 17h55

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