Fundador da Singularity prefere olhar o copo meio cheio

Caminho para um futuro de pessoas saudáveis, letradas e mais produtivas é a tecnologia, defende

Portal Porvir,

16 Julho 2012 | 12h28

Nos últimos 100 anos, a expectativa de vida do mundo dobrou, a renda per capita média ajustada à inflação triplicou, a mortalidade infantil ficou dez vezes menor. Se os indicadores apresentados por Peter Diamandis, fundador da Singularity University ou Universidade da Singularidade, são tão bons, por que será que temos a impressão de que estamos perto do fim dos tempos? A resposta, dada por ele mesmo, está no fato de que prestamos mais atenção a notícias ruins por instinto de sobrevivência e, por isso, criamos essa distorção. Na verdade, defende Diamandis, o futuro será de pessoas saudáveis, letradas e mais produtivas do que nunca ­ e a tecnologia é o caminho.

O argumento, apresentando pelo empreendedor no TED deste ano, se baseia em uma conta simples. Em 2010, 2 bilhões de pessoas tinham acesso à internet. Em 2020, o número de pessoas conectadas passará a 5 bilhões. Assim, há um saldo de 3 bilhões de pessoas com acesso à educação e saúde que terão potencial para injetar dinheiro na economia, fazer conexões com gente de qualquer lugar do planeta e que estarão aptas a contribuir para resolução dos grandes desafios do mundo.

“O que me dá confiança no futuro é o fato de que somos, agora, mais poderosos como indivíduos para assumir os grandes desafios do planeta. Temos como ferramenta essa tecnologia exponencial, temos a paixão pelo ‘faça você mesmo’ dos inovadores. E temos 3 bilhões de novas mentes ficando on-line para ajudar a resolver nossos problemas”, afirmou. Diamandis segue um raciocínio bem próximo ao de muitos pensadores da atualidade, sobre o potencial dos indivíduos quando estes se sentem empoderados – já apresentamos, por exemplo, o que defende o professor de Harvard, Fernando Reimers.

Para dar suporte à sua visão, Diamandis citou exemplos. Segundo ele, a velocidade das comunicações facilita o acesso à informação. “Um guerreiro Masai que use celular no meio do Quênia tem melhor comunicação móvel que o presidente Reagan há 25 anos. E se tiver um smartphone com Google, terá acesso a mais conhecimento e informação que o presidente Clinton há 15 anos.”

Diamands, acredita que estamos próximos a uma era de abundância. A ciência tem permitido que a energia solar se torne cada vez mais barata, uma máquina capaz tirar todas as impurezas da água, não importa de qual fonte, já está sendo testada pelo mundo. “Quando penso em criar abundância, não se trata de criar uma vida de luxo para todos no planeta; se trata de criar uma vida de possibilidades. Se trata de pegar aquilo que era escasso, e torná-lo abundante. Vejam, escassez é contextual, e tecnologia é uma força liberadora de recursos”, afirma.

A crença de Diamandis na tecnologia impulsionou, há quatro anos, a fundação da Singularity University. Ele e seu colega, Ray Kurzweil, criaram uma universidade de ensino voltada a formar líderes que compreendam os avanços tecnológicos para encontrar soluções para os desafios que a humanidade enfrenta. Financiada por instituições como Google e Nasa, a Singularity não oferece graduações tradicionais, mas formações complementares e alguns programas de estudo específicos, com aulas de biotecnologia e bioinformática, nanotecnologia, robótica, inteligência artificial, computação cognitiva, ciências físicas e espaciais, assim como direito, finanças, política e ética.

 Veja aqui a palestra no TED, com legenda em português.

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