lourdesnique/Pixabay
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Fundação divulga lista de bolsistas do programa que formou Tabata Amaral

Relação da instituição fundada por Lemann conta com mais mulheres, jovens interessados em gestão pública e a 1ª mulher trans

Talita Nascimento, O Estado de S.Paulo

05 de agosto de 2019 | 08h00

A Fundação Estudar, instituição de incentivo à educação fundada pelo empresário Jorge Paulo Lemann, divulga nesta segunda-feira, 5, a nova lista de bolsistas de graduação e pós-graduação de seu Programa de Líderes. O mesmo projeto já formou a deputada federal Tabata Amaral (PDT-SP) e Bernardo Hees, que já foi CEO do Burger King e da Heinz. De acordo com pesquisa encomendada pela fundação, os 29 jovens selecionados têm 49% de chances de gerir um patrimônio acima de R$ 20 milhões.

A pesquisa feita por uma instituição independente comparou os jovens que receberam as bolsas da fundação e os demais finalistas. Quando se trata de posições de chefia, os números indicam que 57% dos bolsistas atingem cargos de alta gestão, enquanto os demais finalistas do processo seletivo têm 36% de chances de chegar a esses postos.

Para a diretora-executiva da fundação, Anamaíra Spaggiari, o maior desafio nessa busca de talentos é eliminar as barreiras que separam jovens da periferia dessa oportunidade. “Os que chegam às etapas finais já receberam uma boa educação. Nosso empenho está em dar condições para que outros jovens em vulnerabilidade também alcancem esse patamar”, explica.

Segundo a diretora, houve mudanças em todo o processo para retirar barreiras de gênero, sociais e de áreas de conhecimento. A nova lista conta com perfil mais diversificado de estudantes - 17 homens e 12 mulheres (em 2018 foram 16 homens e 9 mulheres) -, mais líderes interessados em gestão pública e política, além da primeira mulher trans na história do Programa de Líderes, que é também a primeira aluna trans da Universidade de Direito do Largo São Francisco, da Univerdade de São Paulo (USP), Victoria Dandara Toth.

Filha de uma professora de Filosofia da rede pública, Victoria ouviu desde pequena de sua mãe: “A gente não nasceu rico, então, estude”. Ela passou por nove instituições durante o ensino fundamental, porque a mãe sempre buscava transferência para escolas públicas com melhor desempenho. Mesmo assim, a estudante chegou a ficar períodos inteiros no pátio, em aulas vagas por falta de professores.

Na peregrinação por uma educação de qualidade, a aluna foi medalhista de bronze na Olimpíada de Matemática de 2012 e trouxe para sua última escola, com uma professora que a acompanhou durante a 7ª e a 8ª séries, o programa Ismart - que seleciona jovens com talento acadêmico para serem bolsistas em escolas de alto nível.

Ao conseguir a bolsa para o ensino médio, Victoria passou a enxergar melhor as diferenças entre a periferia de Itaquera, na zona leste, onde morava, e o centro da cidade, onde passou a estudar.

“Comecei a questionar porque meus amigos do bairro tinham de parar de estudar para trabalhar e meus amigos da escola passavam férias na Disney”, conta.

Os questionamentos a levaram primeiro ao curso de Gestão Pública, que preferiu abandonar, e depois ao curso de Direito, ambos na USP, tendo sido aprovada duas vezes na Fuvest - vestibular mais concorrido do País.

Os planos de Victoria, que agora receberá os incentivos da Fundação Estudar, são aproveitar ao máximo os contatos com os líderes da instituição. “São pessoas que marcam a nossa vida e nos levam a lugares mais altos. Minha mãe, minha professora, meus amigos, me trouxeram até aqui. É o mais importante”, diz.

Inspirada pela trajetória de Tabata Amaral, ela almeja a vida pública. “Quero muito ser deputada”, completa.

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