Funcionários e alunos da USP fazem ato na Cidade Universitária

Grevistas protestam contra corte de ponto e pedem liberdade de Fábio Hideki; mais cedo, grupo bloqueou três portões de entrada

Paulo Saldaña, O Estado de S. Paulo

07 Agosto 2014 | 11h55

Atualizado às 15h

SÃO PAULO - Funcionários e alunos da Universidade de São Paulo (USP), que estão em greve há 73 dias, interditaram na manhã desta quinta-feira, 7, a entrada dos portões 1, 2 e 3 da Cidade Universitária, no Butantã, zona oeste de São Paulo. Cerca de 300 pessoas se concentraram na esquina das Ruas Alvarenga e Afrânio Peixoto, com carro de som, bandeiras e bateria e fecharam o portão 1 às 5h. Alguns alunos e funcionários até tentaram pular o portão. Por volta das 8h, os manifestantes fecharam também as entradas 2 e 3. 

Às 11h, o grupo iniciou passeata pelo entorno da Cidade Universitária, caminhando pela Rua Vital Brasil. Aos gritos de "Não tem arrego", os cerca de 400 alunos e funcionários da USP que marchavam desde o portão 1 da Cidade Universitária chegaram às 12h10 ao portão 3, na Avenida Corifeu Azevedo Marques. No local, juntaram-se a mais 200 outros manifestantes e seguem agora até o portão 2, na Avenida Escola Politécnica. Entre as 11h e o meio-dia, os portões 1 e 3 foram liberados. A passeata seguiu pela Avenida Escola Politécnica, em direção ao portão 2, que foi liberado às 13h20. O ato acabou por volta de 13h50 e frente ao prédio da reitoria.

A reivindicação do grupo é pela abertura das negociações com a reitoria, que, em conjunto com a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) - as outras duas estaduais de São Paulo -,  decidiram pelo congelamento dos salários dos funcionários e professores. Os manifestantes reivindicam a reversão do corte de ponto dos grevistas. Outra pauta é o pedido de liberdade de Fábio Hideki, estudante e funcionário da universidade.

Segundo a organização do Sindicato dos Trabalhadores da Universidade de São Paulo (Sintusp), responsável pelo ato, cerca de 400 manifestantes seguiram guiados por um carro de som e ocuparam duas faixas. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) acompanhou a passeata. Nos portões, a PM também acompanhou o movimento.

Segundo Magno Carvalho, diretor do Sintusp, é a primeira vez em 35 anos que toda a universidade é fechada pela greve.  "O corte de ponto e a prisão forjada do nosso companheiro Fábio Hideki indignou todos", disse ele. O número de manifestantes foi informado pelo Sintusp.  A PM não tinha estimativa de participantes nesta manhã.

A USP vive uma crise financeira. Desde o ano passado tem comprometido mais de 100% dos repasses que recebe do governo estadual com a folha de pagamento. A situação motivou a decisão da reitoria em não conceder reajuste.

Está marcado para as 15h desta quinta-feira assembleia dos docentes no prédio de História. Às 18h, ocorre assembleia geral dos estudantes.

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