Funcionários de biblioteca da USP param por suspeita de contaminação em livros

Avaliação identificou resquícios de inseticida em alguns livros; servidores se queixam de dores no corpo, náusea e tosse

O Estado de S. Paulo

24 Fevereiro 2015 | 18h48

SÃO PAULO - Os funcionários de uma biblioteca da Universidade de São Paulo (USP) cruzaram os braços nesta segunda-feira, 23, por uma suspeita de contaminação de livros na unidade. Uma avaliação do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) mostrou que o pó branco encontrado em algumas das obras é um inseticida. A diretoria da unidade, porém, diz que o material só foi achado em cinco livros. 

Servidores da Biblioteca Florestan Fernandes, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), reclamam de dores de cabeça e garganta, tosse, sangramento pelo nariz, irritação na pele, queda de pelos, entre outros problemas. "Eu fiquei com a pressão alta, náusea e vômito", conta uma funcionária, que preferiu não se identificar. "Dois alunos também tiveram alergia e coceiras", diz ela, que trabalha há mais de 15 anos no local.

A contaminação estaria em acervo com 9,2 mil obras doado por um ex-professor da unidade. O inseticida era usado para evitar a deterioração do material, que está na biblioteca desde 2009. "Ainda não estão claros os riscos para os funcionários e alunos", reclama Bruno Rocha, diretor do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp).

Esclarecimentos. A diretora da biblioteca, Maria Aparecida Laet, afirma que esses livros estão em uma área separada da unidade porque ainda não foram catalogados. Sustenta ainda que as análises preliminares indicaram contaminação em apenas em cinco obras da coleção. "Nesses livros, o laudo diz que há DDT (tipo de inseticida), portanto são retirados do acervo. Mas não fala os níveis de toxicidade", explica. "Nos outros, nada foi encontrado".

Outra queixa do Sintusp é sobre a demora da direção para resolver o problema. "Sabemos disso desde o ano passado e tínhamos dificuldade de conseguir uma posição da diretoria", afirma Rocha. Em comunicado, a administração da FFLCH disse que tomou todas as providências, encomendou laudos técnicos, proibiu o contato com o material e forneceu equipamentos de proteção.

A escola, informa a diretora da biblioteca, também contratou serviços de medição de ar e de análise de pó. Sete funcionários, segundo Maria Aparecida Laet, já foram avaliados pelo setor de Medicina de Trabalho e não foi constatada intoxicação.Os manifestantes têm reunião com a diretoria da FFLCH na tarde desta quarta-feira, 25, para tratar da situação da biblioteca, que segue fechada.

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