Fraude põe em risco vestibular no ES

A polícia do Espírito Santo vai pedir a prisão preventiva de pelo menos dois suspeitos de participação em fraudes em vestibulares, a estudante de medicina da Universidade de Brasília Ivana Hussein Dutra, de 29 anos, e Manoel Geraldo Fagundes. Ambos fariam parte de uma quadrilha que recebia entre R$ 20 mil e R$ 25 mil de candidatos a vestibulares de instituições privadas e R$ 50 mil no caso das universidades federais.A polícia informou que Ivana, nascida na Romênia, presta sempre exames de seleção para cursos de medicina em todo o Brasil. Fagundes seria seu contato no Espírito Santo. Sócio de uma empresa que leva estudantes para fazer concursos públicos e vestibulares em outros Estados, ele aliciaria candidatos.O delegado Luiz Neves Paula Neto, titular da Delegacia de Defraudações e Falsificações, disse ter recebido denúncia anônima sobre uma suposta fraude ocorrida no domingo, na primeira fase do vestibular da Escola Superior de Ciências da Santa Casa de Misericórdia de Vitória (Emescam).19.º lugarIvana fez o exame em cerca de uma hora e meia e acertou 83% das questões, ficando em 19º lugar. A polícia acredita que, ao deixar o local da prova, ela passou o gabarito para Fagundes, que o teria transmitido aos candidatos envolvidos por meio de ponto eletrônico.A direção da Emescam não anulou a primeira etapa do vestibular sob a alegação de que a fraude não foi concretizada. Mas a prova ainda está sob investigação policial e pode ser considerada inválida.Paula Neto disse que montou um esquema para prender Ivana na segunda fase do vestibular, mas ela não compareceu. "Ela só faz a primeira fase, que é de múltipla escolha. A segunda, que é escrita, fica por conta dos candidatos", explicou. "Ela só não passa quando não quer. É tão inteligente que chegou a questionar uma pergunta mal formulada."Presa no RioEssa não é a primeira vez que Ivana tem problemas com a polícia. Em 1999, ela foi presa no Rio com o marido, Jorge Nascimento Dutra, sob a acusação de fraudar o vestibular da Universidade Gama Filho.A chefe de Polícia Civil capixaba, delegada Selma Couto, disse que as prisões devem ser pedidas no máximo até segunda-feira. "Eu já tenho como pedir as prisões, mas vou juntar mais elementos", declarou o delegado, que se reuniu nesta quinta -feira com policiais federais.Para o policial, há mais envolvidos no esquema. Paula Neto disse que a cola eletrônica era só um dos "serviços" oferecidos por Fagundes aos candidatos. Ele também venderia gabaritos, fornecidos por funcionários de universidades, e contaria com pessoas para fazer prova no lugar dos vestibulandos.

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