Formas de democracia dominam primeiro debate na USP

Discussão entre chapas que concorrem ao DCE teve embate entre modelos representativo e participativo

Cedê Silva, Especial para o Estadão.edu

20 Março 2012 | 15h02

O primeiro debate entre as chapas concorrentes ao DCE da USP foi marcado por duas concepções diferentes de democracia: a representativa e a participativa. De um lado, a chapa Reação, única favorável à presença da PM no câmpus, defendeu que as assembleias devem formar os debates, mas as decisões devem ser tomadas por todos os alunos, em referendos ou plebiscitos. As outras chapas sustentam um modelo participativo, no qual as próprias assembleias tomam e até executam as decisões. "A eleição é viciada, pega estudantes não mobilizados", disse Gustavo Galbes, da chapa 27 de Outubro. "Participamos dela para chamar os estudantes à mobilização, para impedir Rodas de levar adiante seu projeto de privatização da USP". 

No momento mais tenso de ontem, o estudante de Medicina Ricardo Costa, da chapa situacionista Não Vou me Adaptar, perguntou à Reação como ela se posiciona sobre a diversidade, visto que um de seus porta-vozes, Lucas Sorrillo, publicou uma mensagem sobre "cura do homossexualismo" no Twitter, em novembro de 2010. Para Ricardo, a mensagem é preocupante, ainda mais por causa de episódios recentes de homofobia em São Paulo. Presente ao debate, o próprio Lucas respondeu que, por ser evangélico, "não incentivaria ninguém a ser homossexual", mas defende a união civil. “E um membro da Reação é gay e a gente vai ao bar junto”.

Propostas. O Centro Acadêmico da Medicina, organizador do debate, fez três perguntas aos candidatos. A primeira foi "qual a função do DCE e dos representantes dos alunos, e como a chapa vai trabalhar caso eleita?". A chapa Universidade em Movimento propõe convocar todo mês o Conselho de Centros Acadêmicos - em sua opinião, os CAs devem liderar os debates e aproximar os alunos das discussões. "O DCE só organiza", disse Carolina Peters, estudante de Letras. Sua chapa enfatiza a importância das coletivas de mulheres e da assistência às estudantes mães.

Para a 27 de Outubro, o DCE deve ser "um instrumento de luta" para organizar os estudantes sobre o que acontece na universidade. A chapa, formada durante a ocupação da Reitoria, criticou a situação por ter convocado poucas assembleias em 2011 - elas só se tornaram mais frequentes depois que a Polícia Militar deteve três estudantes no estacionamento da FFLCH por posse de maconha, em 27 de outubro (daí o nome da chapa). Mais do que pedir a deposição do reitor, João Grandino Rodas, a 27 é a favor da extinção do cargo - professores, alunos e funcionários administrariam a universidade diretamente.

Fabiana Alves, estudante de Nutrição e integrante da Não Vou Me Adaptar, acredita que a ênfase da 27 em assembleias é excessiva. "Existem outros espaços de deliberação, como os CAs e as reuniões ordinárias do DCE", disse ela. "Realizar assembleias para todas as decisões é inviável". Panfleto da chapa de situação diz que a "independência de nossa entidade é fundamental", e que "uma das chapas organizadas no processo, em nome de uma 'reação' no movimento estudantil', pretende na verdade distanciar o DCE dos estudantes e fazer de nossa entidade a 'secretaria estudantil' do Rodas".

Para a Reação, a imagem do movimento estudantil foi prejudicada por depredações e invasões de prédios, e é importante abrir o diálogo com a reitoria. Lucas Sorrillo afirmou que sua chapa não tem compromissos partidários que a obriguem a ser sempre a favor ou contra o reitor. "Mas Rodas tem errado mais que acertado", disse. Outra proposta é realizar referendos, inclusive sobre a presença da PM. "Todo estudante tem a mesma importância", disse Lucas. "Cada um merece o voto".

A chapa Quem Vem Com Tudo Não Cansa não enviou representantes ao debate. Gabriel Landi, estudante de Direito, diz que sua chapa não recebeu convite. O presidente do CA de Medicina, Gabriel Dias, afirma que todas as chapas foram convidadas por e-mail, e outro convite foi divulgado na comunidade da USP no Facebook.

Um segundo debate vai acontecer amanhã (quarta), na FEA, a partir das 17h. O evento será transmitido ao vivo pela web.

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