Formação continuada é desafio nos EUA

Apenas 35% dos docentes fazem cursos em universidades, diz pesquisa

Ana Bizzotto, Especial para O Estado de S. Paulo

08 Junho 2009 | 21h49

Conciliar o tempo em sala de aula com as horas necessárias para aprender a ensinar é um dos principais desafios enfrentados pelos professores. É o que aponta pesquisa realizada em março pela Universidade de Stanford e o Conselho Nacional de Desenvolvimento de Pessoal (NSDC) dos EUA, que identificou entre os docentes daquele país uma média de 3 a 5 horas por semana para planejar aulas. Em países europeus e asiáticos, o tempo para a função varia entre 15 e 20 horas semanais. O estudo, financiado pela Fundação Bill & Melinda Gates, Fundação MetLife, NSDC e Fundação Wallace, foi realizado com dados da pesquisa feita entre 2003 e 2004 pelo Centro Nacional de Estatística Educacional, Escolas e Pessoal com mais de 130 mil docentes de escolas públicas e particulares dos EUA. Também foram analisadas informações de um inventário de avaliação da NSDC, aplicado em 2007 e 2008 para mais de 150 mil professores.  A pesquisa examinou a formação dos professores em âmbito nacional e em relação a países com bons índices em avaliações como o PISA, (Programa Internacional de Avaliação de Alunos). A diretora executiva do NSDC, Stephanie Hirsh, avalia como um diferencial desses países as políticas nacionais de apoio aos professores.  Nos EUA, as ações ocorrem em âmbito estadual com variações nos resultados. Enquanto no Texas apenas 15% dos docentes participam de cursos em universidades, em Idaho o porcentual é de 79%. A média nacional de participação é de 35%. "Quando o Estado se compromete com a formação de docentes, pode se organizar e apoiá-los. Não há nada que não possa ser feito. É apenas uma questão de prioridades", diz Stephanie.  A pesquisadora indica o Japão como exemplo. "Professores japoneses têm tempo para desenvolver lições maravilhosas com seus colegas. É o que gostaria de ver como prioridade nos EUA: professores com tempo de aprender juntos", diz. Nove em cada dez professores americanos participam de atividades de aperfeiçoamento. Cerca de 57%, porém, receberam menos de 16 horas de treinamento em áreas de interesse. Os dados também apontam melhorias. Mais de 68% dos docentes de escolas públicas participam de programas de integração no primeiro ano de ensino; 71% com algum tipo de tutor.  CertificadoAlém da graduação, para lecionar nos EUA é obrigatório ser aprovado em um teste. Stephanie considera a prova apenas uma garantia. "Há muitas maneiras de selecionar bons professores, mas temos de garantir que eles continuem a aprender e aprimorar sua prática ao longo da carreira", explica. Segundo o diretor da Walden University, Jonathan Kaplan,os Estados incentivam os professores a continuarem seus estudos. "Os governos costumam elevar o salário de quem aprimora a sua formação", diz ele. 

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