Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Fiocruz lança manual para volta às aulas, mas alerta que covid pode levar a novas suspensões

'O momento de reabertura das escolas deve ser orientado por análises epidemiológicas que indiquem redução contínua de novos casos de covid-19 e redução da transmissão comunitária da doença', ressalta fundação

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2020 | 13h39

RIO - A pandemia do novo coronavírus pode levar a novas suspensões das aulas presenciais após o retorno dos estudantes às salas de aula, alertou a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em manual sobre medidas de segurança necessárias para a retomada do ano letivo.

O documento Manual sobre biossegurança para reabertura de escolas no contexto da covid-19 foi divulgado na sexta-feira, 24, pela Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz), com sugestões de normas e diretrizes para a retomada das aulas.

“O momento de reabertura das escolas deve ser orientado por análises epidemiológicas que indiquem redução contínua de novos casos de covid-19 e redução da transmissão comunitária da doença. Ao mesmo tempo em que fazemos estas afirmações, ressaltamos as condições atípicas em que tem se dado a flexibilização do isolamento social, bem como a precariedade do monitoramento da situação epidemiológica da covid-19 em alguns territórios", diz o manual. 

"O fortalecimento desse monitoramento será fundamental, sobretudo, para antecipar possíveis surtos da doença. Todo esse cenário nos leva a considerar que é possível que tenhamos que conciliar o retorno das atividades com novas suspensões, que serão indicadas pelas autoridades educacionais, sanitárias e governamentais. Essa alternância entre isolamento social e retorno às atividades poderá vigorar por algum tempo até o alcance da imunidade coletiva”, ressalta.

O documento traz informações sobre a covid-19, sugestões de organização geral das escolas para atividades de ensino presenciais, recomendações gerais para o deslocamento de alunos e trabalhadores, e sugestões para assegurar a saúde do trabalhador.

“Planos de reabertura que não correspondam a um cenário epidemiológico de redução sustentada da transmissão da covid-19 e que não tenham a proteção aos trabalhadores e estudantes como aspecto central, exigirão das escolas esforços incompatíveis com a sua estrutura e a sua missão, podendo colocar em risco toda a comunidade escolar”, alerta o manual.

Entre as medidas sugeridas estão: destinação de área de isolamento para casos suspeitos de covid-19; instalação de dispensers com álcool em gel 70% nas entradas, áreas de circulação e salas de aula; limitar o uso de elevadores a uma pessoa por vez; regular e orientar sobre o uso de equipamentos compartilhados, como impressoras, papeis e livros; fazer limpeza e desinfecção das salas de aulas nos períodos de intervalo para realização dos lanches e refeições; uso obrigatório de máscaras individuais, com recomendação de troca a cada 3 horas (máscaras não cirúrgicas ou ‘de tecido’) ou a cada 4 horas (máscaras cirúrgicas); garantir o distanciamento físico de 1 metro a 2 metros entre estudantes nas salas de aula; garantir distanciamento físico de, pelo menos, 2 metros entre professor e estudantes; interditar todos os bebedouros com acionamento manual; proibir compartilhamento de copos; instalar pias e lavabos em espaços abertos; não utilizar a modalidade de autosserviço na alimentação; instalar barreira física entre a área de distribuição de alimentos e os alunos; privilegiar renovação frequente do ar, mantendo janelas e portas abertas; não usar ar condicionado; instalar barreiras físicas de acrílico entre as pias do banheiro; instalar dispensers com álcool 70% ou outro produto, devidamente aprovado pela Anvisa, para higienização de assentos sanitários; entre outros.

“A viabilidade de adoção de medidas de proteção, como as que estão listadas nesse documento, deve ser cuidadosamente analisada por todos da comunidade escolar, inclusive para a definição de que o retorno sem determinadas condições não deve ocorrer”, ressalta o documento.

Os autores lembram que a suspensão das aulas presenciais ocorreu em mais de 190 países, afetando 1,57 bilhão de crianças e jovens, o equivalente a 90% da população estudantil de todo o mundo, segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

“De acordo com essa instituição, um pequeno número de países está reabrindo as escolas progressivamente, mas a maioria dos países ainda está na fase de discutir e preparar estratégias de volta às aulas”, pondera o manual.

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