Fim dos prazos de inscrições aumenta angústia do vestibulando

Se decidir a roupa para sair, resolver qual filme assistir com os amigos, optar pela viagem ou pela festa de formatura já é difícil para um adolescente, imagine aos 16, 17 anos ter de escolher uma profissão para seguir, provavelmente, pelo resto da vida. Ainda mais quando as opções não param de aumentar. Neste ano, apenas a Fuvest - o vestibular da USP - está oferecendo 69 carreiras aos estudantes, sendo que algumas, como informática médica, são tão novas que fica difícil saber que tipo de profissional elas formam. Faltando apenas um mês para o fim das inscrições nas principais universidades, ainda há muita gente em dúvida. "É normal que o jovem não saiba o que escolher porque ele ainda não se conhece direito nem sabe muito sobre as carreiras", afirma Maria Stella Sampaio Leite, psicóloga e orientadora vocacional da Colméia - ONG que trabalha há 60 anos com orientação profissional. "E a variedade de cursos complica ainda mais, já que o estudante não tem maturidade suficiente para fazer uma escolha tão específica." Resposta mágica - A psicóloga acredita que os jovens devem levar em conta o que gostam de ler, o que observam em uma viagem, o que lhes dá prazer, o que fazem nas horas de lazer, sobre o que têm curiosidade e quais são as pessoas por quem têm admiração para tentar decidir o caminho que seguirão. "Isso ajuda o aluno a definir suas prioridades e a tomar decisões." O diretor do Nace Orientação Vocacional, Silvio Bock, lembra que uma decisão nunca é fácil. "Escolher qualquer coisa é sempre uma tarefa difícil para o ser humano e, por isso, a indecisão é mais do que natural", afirma. "Mas o jovem não pode esperar uma resposta mágica nem ficar procurando uma vocação inata porque não é em todo mundo que ela aparece." O melhor a fazer, afirma, é batalhar. "Conhecer cada profissão, se conhecer, definir projetos, imaginar sua vida no fututo, descobrir se a imagem que faz da carreira é mesmo verdadeira e ter noção da realidade em que vive são pontos que auxiliam muito nessa hora de escolha." Mas a melhor decisão é a que une uma série de motivos e não apenas um, acredita o psicólogo. "Escolher uma carreira apenas porque ela costuma pagar altos salários não é bom. Esse fator tem de estar combinado a outros, como o prazer de executar as tarefas necessárias na profissão." No momento da dúvida, os pais também podem ajudar bastante. "Mas eles não devem afobar os jovens, que já são afobados. Devem fornecer elementos para a decisão", diz Maria Stella. "É importante orientar, mostrar os prós e os contras das profissões, mas sem autoritarismo nem pressão." Para os estudantes muito confusos, lembra, a orientação vocacional é uma boa saída. "Ela funciona como uma terapia rápida: ajuda o adolescente a se conhecer e a pensar nas alternativas." Orientação - Já o Instituto Avançado de Desenvolvimento Intelectual (Iadi) acaba de lançar o Relatório de Acompanhamento do Desenvolvimento Escolar e Pessoal (Radep). "Desde que a criança entra na escola, começamos a observar o que ela mais gosta e no que se dá melhor", conta o diretor-executivo do Iadi, Dieter Kelber. "Baseados nessas observações, criamos um relatório de orientação." Ele explica que o acompanhamento ao longo dos anos é a melhor forma de indicar caminhos aos jovens. "A orientação vocacional capta apenas o momento atual do estudante", diz. "Com o relatório, o aluno tem seu perfil definido e pode compará-lo ao que é exigido pelas profissões." Kelber também afirma que é possível identificar pequenas dificuldades que podem interferir na carreira profissional. "Se uma criança de 10 anos não gosta de atividades em grupo, por exemplo, podemos indicar a prática de esportes coletivos, já que a maioria das profissões hoje exige capacidade de trabalho em grupo." Mas o Radep só pode ser aplicado por meio das escolas. "Elas têm de entrar em contato conosco e, então, criamos um projeto para cada uma e treinamos os educadores", afirma o diretor. "Já há várias nos procurando." Telefones: Colméia: (11) 3062-2258 Nace: (11) 3849-2412Iadi: (11) 3259-0505

Agencia Estado,

12 de setembro de 2002 | 20h40

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