Fim da greve na USP

Reitoria e funcionários chegam a acordo. Professores voltam a dar aulas, mas alunos continuam em greve

Elida Oliveira, Especial para O Estado de S. Paulo

30 Junho 2009 | 18h37

Após 57 dias de paralisação, os funcionários da Universidade de São Paulo (USP) decidiram encerrar a greve. Durante esta tarde houve uma reunião entre a reitoria da instituição e representantes do Sindicato dos Trabalhadores da USP, Sintusp.   De acordo com o sindicalista Magno de Carvalho, houve ganhos significativos em reivindicações específicas, mas a pauta unificada entre as três universidades estaduais não avançou. O aumento de 16% não foi obtido, ficando em 6,05%. Não haverá descontos da folha de pagamento em relação aos dias parados e nem punição a quem participou do movimento.   Em nota, a reitoria da USP informa que os dias parados serão repostos na forma de trabalho-atividade e que, em função disso, não seriam descontados na folha de pagamento. O documento também afirma que desde março estão sendo feitas reuniões com representantes dos servidores técnico-administrativos para revisar e debater os os itens da pauta de reivindicações. Ao longo da paralisação, os funcionários diziam que a reitora não estava aberta a negociações.   Veja mais:  Confira o histórico da greve  Assista ao debate de alunos da USP sobre a adesão dos estudantes à greve dos funcionários     Uma das principais vitórias comemoradas pelo Sintusp foi a garantia de que os cerca de mil funcionários que tinham o emprego amaeaçado pelo Tribunal de Contas do Estado, que contestava o modo como a reitoria havia encaminhado as nomeações, continuarão com seus empregos. "No acordo foi feita uma redação de emenda que convalida a presença desses funcionários na universidade", disse Carvalho.   A proposta de plano de carreiras oferecida pela reitoria da universidade também foi derrubada. Os funcionários conseguiram que a partir do próximo semestre seja iniciada uma negociação de um plano proposto pelo sindicato. "Isso é um processo demorado, que pode levar mais de um ano, porque a USP tem muitas funções diferenciadas e é preciso atender a todos."   O pedido de aumento no auxílio-alimentação também foi atendido. Inicialmente os grevistas reivindicavam 750 reais de benefício e acabaram fechando o acordo em 400 reais. Também venceram na proposta de auxílio aos funcionários que têm filhos com necessidades especiais, que receberão 422 mensais para ajudar com custos médicos e educativos. "Antes havia um limite para que o benefício fosse concedido até os 18 anos do dependente, mas conseguimos que ele fosse estendido, sem limite de idade", falou Carvalho.   No entanto, uma das pautas mais anunciadas desta greve, a readmissão do ex-funcionário Claudionor Brandão, não foi atendida. Brandão passou por diversas sindicâncias que comprovaram faltas graves e, por isso, foi demitido. Os sindicalistas vêem no caso uma perseguição política aos líderes sindicais.    Estudantes e professores   Segundo informações divulgadas pela USP, professores e alunos também realizaram assembleias na noite de terça-feira para decidir se sairiam da greve. A Associação dos Docentes da USP, Adusp, votou pelo retorno às atividades, mas continua o impasse em relação ao plano de carreira dos docentes. A USP informou ainda que "os professores assumiram o compromisso de repor o conteúdo que não foi dado aos alunos devido à greve. Para isso, vão solicitar o adiamento de prazos para a matrícula e a entrega de notas, bem como a ampliação do horário de funcionamento das bibliotecas durante o mês de férias."   No entanto os estudantes -- que durante a greve foram solidários às reivindicações de funcionários e professores e, em manifestação contra a presença da Polícia Militar no câmpus, paralisaram aulas nas faculdades de Filosofia Letras e Ciências Humanas (FFLCH), Psicologia e Educação e na Escola de Comunicação e Artes (ECA) -- votaram em assembleia a continuidade da greve, que deve avançar o período de férias. O argumento é que as pautas estudantis não foram contempladas nas negociações, como a democratização da universidade, com eleições diretas para reitor. Uma nova assembleia está marcada para o dia 14 de julho.

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