Filósofo francês quer fazer do Brasil uma das pontes da inteligência coletiva

Está no Brasil um dos principais articuladores da missão Université de France, um levante contra a evasão escolar e a exclusão social na França, que propôs olhar para a educação como uma construção contínua de todos os conhecimentos. O filósofo Pierre Levy está reunido nesta quinta-feira com pesquisadores, professores e cientistas brasileiros para desdobrar a experiência no que chama de ciência de inteligência coletiva, que terá bases em univesidades de todo o mundo. O Brasil pode ser uma delas. Levy falou com o estadao.com.br sobre o seu projeto de ligar as nações, as profissões e as ciências por esse sistema.A idéia central da ciência da inteligência coletiva é que devem haver conexões entre as áreas, como o conhecimento, as habilidades, as intenções, as pessoas, a tecnologia e os conteúdos. Essa combinação deve ser potencializada por tecnologias (como os meios eletrônicos) desenvolvidas especialmente para esse fim. O objetivo é criar ecossistema vivo, em movimento, que alimente e seja alimentado por qualquer interessado.O objetivo teórico do projeto, que existe há 40 anos, é desenvolver metodologias de trabalho para o desenvolvimento de ambientes e sistemas de inteligência coletiva, fazendo um mapeamento das principais características de um sistema cogntivo, que envolve percepção, memória, raciocínio e aprendizagem. Na prática, um sistema desses pode, segundo seus autores, melhorar, de modo significativo, os processos de cooperação e colaboração intelectual entre os grupos humanos. O grupo liderado por Levy e vinculado à Cátedra de Pesquisa em Inteligência Coletiva (CRC-IC) da Universidade de Ottawa, no Canadá, tem conexões em todo o mundo. No Brasil, alguns grupos estarão fazendo parte desse trabalho, como a PUC-SP, USP e outras Instituições que tenham projetos desenvolvidos para o estudo da Inteligencia Coletiva.Leia os principais trechos da entrevista:Estadao.com: Essa Ciência da Inteligência coletiva pode ser uma saída para a atual crise do ensino superior, onde observa-se que o modelo formatado ate então esta ultrapassado?Pierre Levy: Com certeza, essa é a idéia. Não acreditamos em disciplinas estanques, não pretendemos que a Ciência da Inteligência Coletiva seja uma forma de incorporar todas as disciplinas de realizar na prática um trabalho realmente interdisciplinar .Estadao.com: Se a idéia é de construir uma Ciência da Inteligência Coletiva, onde não existe uma hierarquia e um eixo central dominante, mas onde todas as áreas estão em sintonia, será que não está tendo uma preocupação excessiva com a tecnologia ou com a ferramenta que irá ser desenvolvida para facilitar a conexão entre as inteligências?Levy: O propósito desse encontro é de discutir como seria construída essa ferramenta. É para isso que estamos trabalhando aqui hoje. Esse é um dos primeiros passos. O projeto tem uma previsão de duração longa, aproximadamente mais de 15 anos, estamos apenas começando, e o desenvolvimento dessa ferramenta é importante nesse estágio para facilitar o trabalho dos próprios grupos.Estadao.com: Atualmente já não existem ferramentas capazes de fazer essa conexão? Ferramentas de trabalho colaborativo, por exemplo?Levy: Existem ferramentas diversas, mas que não foram desenvolvidas com a finalidade de se trabalhar as inteligências. Foram desenvolvidas para o mercado. São ferramentas comerciais. A que estamos desenvolvendo ou concebendo nesse momento, será baseada nas nossas inteligências, nossas intenções, emoções, conhecimentos. Além do que, será totalmente sahreware, gratuita.

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