Werther Santana/ Estadão
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Filhos precisam de autonomia

Sempre me espanto ao saber que pais de universitários têm responsabilidade de acordá-los para aula

Rosely Sayão, O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2021 | 05h00

Todos os que têm filhos, alunos, sobrinhos, netos etc., ou seja, todos que, direta ou indiretamente, estão ligados à educação dos mais novos, já ouviram e/ou usaram a palavra e, consequentemente, o conceito de autonomia. Na verdade, esbanjamos o uso dessa palavra. Por isso, vale a pena pensarmos sobre os processos que auxiliam os mais novos na conquista da autonomia.

A família tem sofrido muitas mudanças nas últimas décadas e, mesmo assim, continua sendo a instituição primeira na formação dos filhos para a autonomia. Já a escola, que tem resistido fortemente às mudanças para se aproximar do século 21, também tem grande responsabilidade nessa questão. Ao lado dessas duas instituições, todo o contexto em que a criança ou o adolescente vive também influencia seus processos de aquisição de autonomia. 

A família, por excesso de cuidados e de proteção, pode inibir nos filhos o desenvolvimento de sua autonomia. Sempre me espanto ao saber que pais de jovens universitários ainda têm como sua responsabilidade acordar o filho para que ele chegue a tempo para suas aulas, e mais: levá-lo até a faculdade. Como pode um jovem, no fim de sua adolescência, ter sua vida sob sua responsabilidade se os pais agem assim?

A escola, por sua vez, por adesão quase exclusiva ao ensino das disciplinas do conhecimento, deixa de lado o desenvolvimento social e emocional de seus alunos, perdendo assim a oportunidade de colaborar para que eles tenham maior responsabilidade sobre si, por exemplo. Um bom exemplo disso é o decréscimo dedicado às artes, assembleias e rodas de conversa, por exemplo, à medida que os alunos avançam nas séries. 

Bem, mas o que é autonomia? Um conceito complexo e difícil de explicar mas, de um modo geral, é a pessoa ter capacidade de administrar a própria vida, ou seja, tomar as decisões e agir de acordo consigo mesmo, seus valores e princípios, seus interesses, suas necessidades, seus compromissos etc. E tudo isso sem desconsiderar a interdependência que temos com os outros!

Parece simples e fácil, mas não é. Por isso é que, para chegar à autonomia, é tão precioso o autoconhecimento. Precisamos investir na formação de autonomia de filhos e alunos com muita dedicação: é fundamental para a vida pessoal e profissional. Cada vez mais as corporações falam em autogestão, criatividade e empatia, entre outros, como características fundamentais para o bom profissional. E como alcançar essa habilidade sem ter tido acesso à autonomia?

É PSICÓLOGA, CONSULTORA EDUCACIONAL E AUTORA DO LIVRO EDUCAÇÃO SEM BLÁ-BLÁ-BLÁ

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