Fies passará a ser pago com serviços sociais, anuncia Cristovam

A promessa de erradicar o analfabetismo em quatro anos levou o ministro da Educação, Cristovam Buarque, a modificar o programa de Financiamento Estudantil (Fies). Segundo ele, serão oferecidas a partir deste ano bolsas a estudantes contemplados pelo programa, que deverão ser pagas exclusivamente com trabalhos sociais, especialmente no campo da alfabetização. Cristovam também afirmou que existe um projeto de aumentar a duração do ensino médio e diminuir o universitário e que as universidade passarão a ter autonomia na escolha de seus reitores."As bolsas serão dirigidas aos jovens que precisamos, sobretudo nas áreas de pedagogia e licenciatura", disse ontem o ministro, depois de dar aulas inaugurais na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e na Universidade Cândido Mendes.Na UFRJ, ele presenciou o protesto de estudantes que reivindicavam a volta do bandejão na universidade e ouviu cobranças como o aumento do valor das bolsas de pós-graduação de representantes de entidades sindicais.Em discurso anticorporativista para uma platéia de cerca de mil pessoas na UFRJ, Buarque disse que os estudantes deveriam pressionar a Câmara Federal a incluir no orçamento de 2004 uma dotação maior destinada à educação, falou em fim de privilégios e cobrou maior participação de universitários em "causas" como a reforma agrária e o combate à fome e ao analfabetismo. "A grande causa do governo Lula é completar a República e a abolição da escravidão. Vocês vão deixar que o combate à fome seja a bandeira apenas do governo? Façam passeatas e mobilizem-se contra o analfabetismo", disse ele.A promessa de erradicar o analfabetismo em 4 anos foi formulada durante a campanha eleitoral e citada pelo ministro. O documento de campanha do PT fala em "aproximadamente 20 milhões de analfabetos acima de 15 anos", número repetido ontem. No entanto, de acordo com o Censo 2000 do IBGE, há 16,3 milhões de analfabetos no País, ou 13,6% da população com mais de 15 anos.MudançasO ministro informou ainda que há um projeto em discussão que amplia em um ano a duração do ensino médio. Segundo ele, até o fim do ano a proposta deverá estar definida e poderá ser colocada em prática em 2004. Ele quer também reduzir o tempo dos cursos universitários e modificar os currículos para "adequá-los à realidade", mas disse que tudo será discutido com reitores antes de ser colocado em prática. "Nada vai ser imposto." O ministro afirmou que vai criar um novo critério para dar autonomia às universidades na escolha de reitores, e acabar com a lista tríplice que atualmente é encaminhada ao ministério. Ele disse que é pessoalmente a favor do critério de cotas para negros e pardos, mas afirmou que a questão ainda deve ser debatida no País porque há resistência, e que não a defenderá como ministro antes de um consenso. Segundo Cristovam, é possível "dobrar o número de estudantes universitários" com programas de ensino à distância.No discurso, o ministro disse temer que a "com a força das corporações, o governo não consiga atender a todas as reivindicações". "Há o risco de não termos uma costura completa, da perda da esperança por falta de atendimento específico de cada categoria. Mas não tem maneira de atender a todos da maneira que todos querem." Segundo ele, o governante "não pode perder a capacidade de indignação diante das coisas que estão erradas e cair nas malhas da burocracia e do deslumbramento com o poder".FiesBuarque ainda não definiu quantas bolsas serão concedidas no Fies deste ano. O programa é destinado a estudantes de universidades particulares que não têm como arcar com os custos de sua formação. No ano passado, foram abertas 40 mil vagas. O Fies financia, por meio da Caixa Econômica Federal, até 70% do valor da mensalidade - os inscritos devem começar a pagar após a conclusão do curso.Para os contratos assinados no 2.º semestre de 2002, a taxa foi de 9% ao ano, permanecendo fixa por todo o período de vigência do financiamento.

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