Andre Sousa/MEC
Andre Sousa/MEC

FGV vai apurar suspeita de plágio em dissertação de mestrado de novo ministro do MEC

Economista apontou nas redes sociais trechos idênticos entre dissertação de mestrado de Decotelli e relatório de banco; ministério ainda não se manifestou

Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2020 | 18h56

BRASÍLIA - A Fundação Getulio Vargas (FGV) informou neste sábado, 27, que vai investigar a suspeita de plágio na dissertação de mestrado do novo ministro da Educação, Carlos Decotelli.  O economista Thomas Conti apontou, no Twitter, possíveis indícios de cópia no trabalho, de 2008. Ele citou trechos  na dissertação idênticos a um relatório do Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul) para a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). 

 "A Fundação Getúlio Vargas vai apurar os fatos referentes à denúncia de plágio na dissertação do Ministro Carlos Alberto Decotelli. A FGV está localizando o professor orientador da dissertação para que ele possa prestar informações acerca do assunto", informou a instituição de ensino. Procurado, o MEC não se manifestou. O Estadão não conseguiu contato diretamente com Decotelli. 

"Para quem não tem familiaridade com o mundo acadêmico, embora a dissertação dele seja sobre a governança corporativa do Banrisul, não se copia e cola trechos escritos por outra pessoa sem deixar claro que é uma citação e de onde vem a citação. Ainda mais em trechos longos assim", escreveu Conti no Twitter, sobre o mestrado de Decotelli. 

Diploma de doutorado foi desmentido por reitor argentino

O título de doutor do novo ministro da Educação também está sob questionamentos.  Franco Bartolacci, reitor da Universidade Nacional de Rosário, na Argentina, disse ao Estadão na sexta-feira, 26, que Decotelli não concluiu o curso. "Cursou o doutorado, mas não o concluiu, pois lhe falta a aprovação da tese. Portanto, ele não é doutor pela Universidade Nacional de Rosário, como chegou a se afirmar".

O ministro inicialmente negou a declaração de Bartolacci e chegou a mostrar certificado de conclusão de disciplinas à reportagem. "É verdade. Pergunte lá para o reitor", disse Decoletti na sexta-feira ao Estadão. Questionado se havia defendido a tese, requisito para obter o título de doutor, o ministro não respondeu.

No fim do dia, o novo titular do MEC atualizou o seu currículo na plataforma 'Lattes', do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Ele passou a declarar que teve "créditos concluídos" no curso de doutorado, em 2009. No campo relacionado ao orientador, o ministro assinalou: "Sem defesa de tese".

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