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FGV reestrutura áreas sociais e demite pesquisadores renomados

Assessoria de imprensa da instituição no Rio afirma que medida foi resultante de redução de despesas

Daniela Amorim e Renata Batista, O Estado de S.Paulo

28 Março 2018 | 20h07

RIO - Conhecida pelos indicadores pioneiros que criou e até hoje pautam o debate econômico, a Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro (FGV/RJ) conduz ajustes em algumas áreas de prestígio da instituição. Depois de uma rodada de demissões de profissionais renomados no Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil da FGV (CPDOC/FGV), os cortes chegaram agora à Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas (Ebape).

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A coordenadora do Programa de Estudos sobre a Esfera Pública, Sonia Fleury, foi demitida no último dia 13, após 35 anos de serviços prestados à FGV. "Não por acaso, somos todas mulheres, de mais de 60 anos, que construímos a história daquelas instituições, altamente produtivas e que somos do campo democrático de esquerda", diz Sonia que, em carta aberta ao diretor do Ebape/FGV, Flavio Vasconcelos, conta ter ouvido como justificativa no ato da demissão que ele tinha "um mandato para fazer renovação".

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"Atribuo à decisão ao fechamento da sociedade brasileira a qualquer diálogo pluralista. Sempre fui um pensamento alternativo, diferente dentro da Escola de Administração Pública e fui respeitada durante todos esses anos. Agora fui eliminada porque a sociedade escolheu que aquele que tem um pensamento diferente deve ser eliminado", completa.

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Até agora os movimentos de enxugamento ocorreram nas áreas de pesquisa social e atingiram fortemente pesquisadores que se situam no campo de esquerda. 

Questionada pela reportagem se o departamento passa por problemas financeiros ou se há alguma estratégia de reduzir a área social para investir nos demais segmentos, a assessoria de imprensa da FGV informou apenas que a dispensa da professora Sonia Fleury foi uma medida resultante de redução de despesas. 

Fontes ouvidas pelo Estado afirmam que a expectativa é de um novo corte de cerca de 200 trabalhadores, mas a FGV nega. Em nota, a instituição declarou "que não há absolutamente qualquer programa de demissão coletiva e que não há sequer qualquer discussão a respeito do tema".

"Estamos vivendo uma época de extremo autoritarismo. Não está só no governo, atravessa todas as instituições. Aquele que tem um pedacinho de poder vai tentar eliminar o que lhe é indesejado", afirmou Sonia.

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