FGV fará prova oral no vestibular de novo curso

A Fundação Getulio Vargas (FVG) vai escolher seus 50 alunos para o novo curso de Direito com exame oral. Desde os anos 60, com o aumento no número de candidatos, as provas em vestibulares do País são somente escritas. A seleção da FGV será feita em novembro e o curso começa em 2005.A instituição oferecerá aos aprovados um empréstimo de R$ 1 mil mensais, metade do valor da mensalidade, sem que precisem comprovar carência. "A preocupação é não elitizar. Ninguém vai deixar de estudar aqui por falta de recursos", diz o diretor-administrativo da Escola de Direito de São Paulo da FGV (Edesp), Paulo Goldschmidt.Ele garante que serão analisados os casos de alunos que não puderem pagar nem metade do valor. O empréstimo virá do fundo de bolsas da instituição - mantido com doações e devoluções de empréstimos de ex-alunos - e terá de ser devolvida um ano depois da formatura e nos cinco anos seguintes. "O estudante já terá um belíssimo emprego", garante.Não apenas conteúdoA preocupação maior da FGV é a de selecionar futuros alunos não só pelo conteúdo acumulado durante a vida escolar. A primeira fase do vestibular será escrita, com redação e questões de várias disciplinas, incluindo artes.O exame oral é a 2.ª fase e será feito em grupo, com cerca de dez candidatos, em que serão testadas habilidades como liderança, expressão oral, raciocínio. "Inevitavelmente os candidatos discutirão assuntos das disciplinas, mas isso não será o mais relevante", diz o coordenador do vestibular do curso, Conrado Hubner.Receio"Tenho receio de um exame oral que ordene alunos para ocupação de vagas. Não se pode fazer as mesmas perguntas para todos e fica difícil avaliar criteriosamente", diz Roberto Costa que foi por oito anos diretor da Fuvest."Eles (FGV) não querem mais o geninho de conteúdo", afirma o diretor do Colégio Bandeirantes, Mauro Aguiar, que gostou da novidade e pretende instaurar dinâmicas de grupo na escola, para preparar os alunos.Conhecer melhorAtualmente, o exame oral é comum em concursos públicos para magistratura e promotoria. Mas o teste aborda conteúdos e o candidato tem de se apresentar sozinho para uma banca examinadora. "Com a prova oral você conhecer melhor o candidato, mas corre-se o risco de ter critérios subjetivos", diz o presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros, Cláudio Maciel.A FGV mudou o tradicional currículo de Direito, considerado ultrapassado por muitos educadores, e pretende formar advogados empresariais, formuladores de políticas públicas e acadêmicos. As aulas, em período integral, terão mais participação dos alunos.

Agencia Estado,

02 de junho de 2004 | 09h59

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.