FGV-Eaesp reformula Administração, aos 50 anos

Ao comemorar 50 anos, a Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV-Eaesp), a primeira a ensinar a profissão no País, se prepara para uma reformulação. Para manter a tradição de ensino construída nas últimas cinco décadas, e relembrada em uma série de eventos na última semana, a instituição trabalha atualmente na renovação total do seu curso de graduação.A aparente contradição é, na verdade, uma meta da faculdade: equilibrar o orgulho de sua história com o espírito crítico para questionar a fórmula de sucesso da fundação, explica o diretor da faculdade, Fernando de Souza Meirelles."Estamos repensando o curso de graduação do zero. Chegamos à conclusão de que algumas coisas não estavam bem resolvidas. A forma como hoje se ensina, o grau de retenção é baixo, a quantidade de informações dobrou e o tamanho do curso permaneceu o mesmo."ModificaçõesIsso não quer dizer que ao longo dos anos o curso não tenha sido modificado. Na década de 90, por exemplo, entraram nas salas de aula as matérias de tecnologia da informação, até então inexistentes.As últimas turmas ganharam o acompanhamento de um tutor e durante os anos os valores de empreendedorismo e responsabilidade social passaram a ser cada vez mais difundidos nas aulas."A FGV é pioneira. Ela não pode só acompanhar as tendências, precisa se antecipar a elas", afirma Meirelles.Com essa responsabilidade, a mudança está sendo elaborada há um ano e tem como objetivo repensar o ensino da Administração - sem alterar a carga horária e o número de alunos, que permanecem inalterados desde a criação, em setembro de 1954.Números grandiososA faculdade, que começou no prédio do Ministério do Trabalho, no centro de São Paulo, exibe hoje números grandiosos. São cerca de 100 mil ex-alunos, 13 mil atuais, 600 professores, parcerias com 300 empresas e 54 instituições internacionais.Além disso, tem um fundo de bolsas, com doações de ex-alunos, com patrimônio de R$ 32 milhões. E dos profissionais que passaram por ela, um em cada quatro são hoje líderes das mil maiores empresas do Brasil. É uma trajetória que começou num período de industrialização e crescimento de São Paulo, quando esse ensino só existia nos Estados Unidos. Os pioneiros foram oito professores brasileiros e quatro norte-americanos da Michigan State University, com apoio do governo americano, que doou U$ 4 milhões.Currículo facultativoA implantação de um currículo obrigatório e um facultativo, o regime de cursos semestrais, a interação com a comunidade empresarial, o intercâmbio com outros países e o estudo do método de Harvard foram todas inovações do grupo.Os conteúdos serviram de base para todas as outras faculdades da área."A atuação da Eaesp foi justamente na microeconomia. Ela treinou gerentes capazes de conduzir as grandes empresas brasileiras. Os profissionais brasileiros são considerados de primeira qualidade e esse padrão foi dado em boa parte por ela", diz o professor Michael Paol Zeitlin, ex-diretor da faculdade, responsável por uma internacionalização do currículo no início de 1990.

Agencia Estado,

19 de setembro de 2004 | 16h48

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