FGV discute globalização em seminários que antecedem Conferências do Estoril

Encontros em São Paulo coletaram sugestões de temas para evento realizado em Portugal

Carlos Lordelo, do Estadão.edu,

23 de outubro de 2012 | 23h32

Em meio a uma das piores crises econômicas de sua história, Portugal receberá palestrantes e alunos universitários de vários cantos do mundo para discutir os desafios da globalização durante a terceira edição das Conferências do Estoril. O evento está marcado para ocorrer entre 30 de abril e 3 de maio de 2013 na vila de Cascais, a 28 quilômetros de Lisboa.

 

Sob o slogan Desafios Globais, Respostas Locais, as conferências são encontros bienais realizados no intervalo entre o Fórum Econômico Mundial, em Davos, Suíça, e o Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, Brasil. Já teve entre os participantes o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso e os prêmios Nobel da Paz Mohamed El Baradei e de Economia Joseph Stiglitz.

 

Nesta terceira edição, o evento contará com o apoio da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (Eaesp-FGV) como parceira acadêmica. A faculdade brasileira aliou-se recentemente às conferências e agora integra uma rede composta por universidades top de todo o mundo, entre elas a americana Georgetown e a holandesa Erasmus.

 

Nos últimos dois dias, a FGV sediou seminários para apresentar os temas discutidos no evento português. Os encontros serviram também para coletar sugestões do que pode ser debatido nas conferências a partir da visão de professores, alunos e representantes dos setores público e privado.

 

"Participar desse comitê fortalece o papel da fundação como um centro produtor de conhecimento para políticas públicas", diz a diretora da Eaesp-FGV, Maria Tereza Fleury. A escola ajudará na escolha de palestrantes e dos vencedores dos prêmios de melhor livro sobre globalização e de melhor iniciativa de impacto local, que poderá abranger projetos na área educacional.

 

Segundo a professora, a escola também participará das conferências na busca por entender melhor os mecanismos do Tratado de Bolonha, firmado em 1999 por 29 países europeus com o objetivo de unificar os sistemas universitários. Os currículos das instituições de ensino superior dessas nações foram reformulados e em certa medida padronizados para facilitar a mobilidade acadêmica. "Fazer acordos com instituições estrangeiras para dupla titulação ainda é algo complicado no Brasil", afirma Maria Tereza.

 

Para ela, a formação de jovens com mentalidade global passa necessariamente pelo fortalecimento dos programas de intercâmbio. Nesse sentido, elogia o programa Ciência sem Fronteiras, do governo federal, que visa a enviar 101 mil alunos brasileiros para uma temporada de estudos no exterior. "É preciso estabelecer conexões e facilitar o aproveitamento de créditos de disciplinas cursadas fora. A maioria das universidades do País não está acostumada com esses trâmites."

 

A FGV também selecionará um aluno para a organização de um encontro de jovens que integrará pela primeira vez a programação das conferências. "Queremos atrair o jovem para o debate sobre a globalização. Os mais velhos não podem simplesmente decidir o futuro das novas gerações", diz Milton Correia de Sousa, diretor executivo das Conferências do Estoril, que veio a São Paulo participar dos encontros na Eaesp.

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