Felipe Rau/Estadão
Fechamento de escolas por pandemia pode afetar economia mundial até o final do século, diz OCDE. Felipe Rau/Estadão

Fechamento de escolas afetará economia global até o fim do século; OCDE prevê perda de 1,5% no PIB

De acordo com a entidade, prejuízo no aprendizado poderá levar à perda de habilidades que terão impacto também em produtividade

Marina Aragão, O Estado de S.Paulo

08 de setembro de 2020 | 08h24
Atualizado 08 de setembro de 2020 | 18h31

A suspensão das atividades escolares provocada pela pandemia do novo coronavírus deve causar impactos na economia mundial que podem durar até o final do século e pode levar a uma perda ao longo deste período de, na média, 1,5% na economia global. Essas são algumas das constatações de relatório divulgado nesta terça-feira, 8, pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). De acordo com economistas que ajudaram na elaboração do estudo, esse efeito não será notado em curto prazo, mas os impactos econômicos serão sentidos por muitos anos.

"A perda de aprendizado levará à perda de habilidades, e as habilidades que as pessoas têm se relacionam com sua produtividade", disse o relatório, ao citar a queda na produção global. Desde janeiro, colégios e universidades em vários países interromperam atividades para reduzir o risco de contágio da covid-19. No Brasil, a suspensão de atividades presenciais se iniciou em março.  As escolas brasileiras ficaram fechadas por mais tempo do que a média dos outros países estudados e isso vai ter impactos na aprendizagem e desenvolvimento de habilidades dos alunos.

A estimativa, segundo o relatório, considera que só os atuais grupos de alunos serão afetados. Se as escolas demorarem para retomar o desempenho de antes da pandemia, o revés financeiro será proporcionalmente maior. Usando como exemplo os Estados Unidos, o documento aponta que se a pandemia levar a uma redução de um décimo no nível padrão de habilidades dos alunos, a perda econômica será de US$ 15,3 trilhões. 

A suspensão das aulas também trouxe à tona as lacunas de oportunidades educacionais entre ricos e pobres. As crianças com acesso à internet, computadores e suporte das famílias se saíram melhor, com mais estímulos disponíveis e mais chances de usufruir de aulas remotas. "É fundamental que todos os esforços sejam feitos para garantir que a crise não exacerbe as desigualdades na educação que foram reveladas em muitos países. A crise atual testou nossa capacidade de lidar com interrupções em grande escala. Cabe agora a nós construir como legado uma sociedade mais resiliente", disse o secretário-geral da OCDE, Angel Gurría, ao lançar o relatório em Paris

Mesmo com a reabertura de escolas em muitos países, grandes desafios permanecem para a educação. A entidade ressalta que as nações continuarão enfrentando uma redução da economia, mesmo que suas escolas voltem imediatamente aos níveis de desempenho anteriores à pandemia. Especialistas no Brasil têm defendido a necessidade de priorizar o debate sobre a retomada das aulas. "O País pagará por abrir bar antes de escola", criticou Priscila Cruz, presidente executiva do Todos pela Educação, em entrevista ao Estadão publicada neste domingo. 

Orçamento da educação pode ficar comprometido

A reabertura de escolas e universidades trará benefícios ​​aos alunos e à economia em geral, além de colaborar para que alguns pais retornem ao trabalho. Essa retomada, porém, deve ser avaliada cuidadosamente em relação aos riscos à saúde e à necessidade de mitigar o custo da pandemia, ponderou a OCDE.

No entanto, de acordo com a entidade, "os desafios não terminam com a crise imediata". Os gastos com educação podem ficar comprometidos nos próximos anos. "Como os fundos públicos são direcionados à saúde e ao bem-estar social, os gastos públicos de longo prazo com a educação estão em risco, apesar dos pacotes de estímulo de curto prazo em alguns países."

Além disso, o financiamento privado também se tornará escasso à medida que a economia enfraquece e o desemprego aumenta. No nível superior, o declínio na mobilidade estudantil internacional devido às restrições de viagens já está reduzindo os fundos disponíveis em países onde os estudantes estrangeiros pagam taxas mais altas. 

Ao longo desta crise, os sistemas educacionais estão cada vez mais olhando para experiências, dados e análises de política internacional à medida que desenvolvem suas respostas políticas. "Embora os indicadores da publicação sejam anteriores à crise, ele fornece insights sobre as consequências econômicas para a educação, mas também a dinâmica de conciliar a saúde pública com a manutenção da oferta educacional", diz a OCDE.

Redes municipais podem perder até R$ 31 bilhões, indica estudo

Em agosto, um estudo publicado pelo Instituto Unibanco e pelo Todos Pela Educação indicou que, com a pandemia, pode haver redução média no investimento anual por estudante de até R$ R$ 1.339. No cenário mais otimista, a perda seria de R$ 670. O relatório COVID-19 – Impacto Fiscal na Educação Básica – cenário de receitas e despesas nas redes municipais em 2020 estima que as redes municipais devem perder entre R$ 15 bilhões e R$ 31 bilhões em tributos vinculados à manutenção e desenvolvimento do ensino neste ano, a depender do cenário de crise econômica.

A pesquisa também indicou, por outro lado, a necessidade de gastos adicionais em função da pandemia. Um levantamento com 82 redes municipais de educação identificou um conjunto de gastos adicionais de R$ 870 por estudante matriculado. O custo está relacionado a despesas com ensino remoto, alimentação, comunicação com as famílias, internet e materiais de higiene. A situação pode se agravar considerando o retorno às aulas presenciais, quando deve haver uma série de readequações das escolas./ COM REUTERS

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Reabertura da escola depende da capacidade de manter uma distância segura entre alunos e funcionário Jose Jordan| AFP

Relatório mostra desafio para o retorno às aulas no Brasil por causa do excesso de alunos por sala

Por causa da pandemia do novo coronavírus, escolas brasileiras ficaram fechadas por mais tempo que a média dos outros países estudados

Paulo Favero e Paula Felix , O Estado de S.Paulo

Atualizado

Reabertura da escola depende da capacidade de manter uma distância segura entre alunos e funcionário Jose Jordan| AFP

As escolas brasileiras ficaram fechadas por mais tempo que a média dos outros países estudados e isso vai impactar a aprendizagem e habilidades dos alunos, segundo relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgado nesta terça-feira, 8. O fechamento de escolas e universidades foi uma das alternativas encontradas pelas autoridades no mundo todo para desacelerar a contaminação pelo novo coronavírus.

"No Brasil, os fechamentos começaram a partir de 12 de março e, em 25 de março, eles passaram a ser nacionais. No final de junho, o país havia experimentado 16 semanas de fechamento efetivo das escolas de alguma forma, em comparação com 14 semanas em média dos países da OCDE. No entanto, o impacto real em alguns países pode ter sido menos severo, pois alguns desses períodos incluíram férias escolares programadas", diz o relatório.

Vale ressaltar que em alguns lugares as escolas ainda não reabriram e que a pesquisa da OCDE pegou apenas o período entre 17 de fevereiro e 30 de junho, ou seja, os dados do Brasil são bem maiores que o apresentado. É o caso do Estado de São Paulo, por exemplo, que fez protocolos para o retorno das aulas e, nele, a expectativa é de reinício das atividades de maneira mais ampla apenas em outubro. Isso se as condições da pandemia continuarem apresentando alguma melhora. Na capital paulista, por exemplo, o prefeito Bruno Covas (PSDB) proibiu o retorno no mês de setembro.

"A reabertura da escola no contexto da pandemia depende da capacidade de manter uma distância segura de 1 a 2 metros entre alunos e funcionários. Países com turmas menores podem achar mais fácil cumprir as novas restrições de distanciamento social. No Brasil, o tamanho médio das turmas no ensino fundamental inicial é de 24 alunos em instituições públicas, o que é maior do que a média da OCDE, de 21 alunos", continua o documento.

"Nas instituições públicas de anos finais do ensino fundamental, há 28 alunos por turma no Brasil (a média cai para 27 alunos, se considerar colégios particulares no cálculo), em comparação com 23 alunos por turma em média nos países da OCDE. No entanto, a necessidade de reduzir o tamanho das turmas pode depender de outros fatores, como espaço físico, a disponibilidade de salas e funcionários, e decisões pessoais dos alunos e funcionários sobre o retorno à escola", diz.

Na realidade brasileira, uma das alternativas que vem sendo discutida é o rodízio de alunos nos dias da semana, o que possibilitaria reduzir o número de pessoas presentes por dia na escola. Isso por causa do excesso de estudantes por turma em média e a falta de espaço físico para conseguir manter o distanciamento social durante as aulas.

"A pandemia não parou nas fronteiras nacionais. Afetou pessoas independentemente de nacionalidade, nível de educação, renda ou gênero. Mas não se pode dizer o mesmo para suas consequências, que atingiram de forma mais dura os mais vulneráveis. A educação não é exceção. Alunos de origem privilegiada, apoiados por seus pais e estimulados a aprender, puderam encontrar caminhos alternativos de aprendizagem apesar das portas fechadas nas escolas. Já as pessoas de origem menos favorecida frequentemente permaneceram bloqueadas quando suas escolas fechavam", afirma a OCDE.

Entre as medidas para auxiliar os estudantes durante o fechamento das escolas estão principalmente as atividades remotas por rádio e televisão, os recursos de aprendizagem online e kits de instrução. Sem contar as aulas em tempo real e encontros virtuais com professores. Até por isso, o relatório pede para que as escolas e instituições continuem investindo nessa capacidade de ensinar à distância, reforçando a infraestrutura disso mesmo com o retorno das aulas presenciais.

Segundo a organização, alguns países conseguiram oferecer apoio aos estudantes durante a pandemia, como suporte de equipamento para aprendizagem à distância, apoio financeiro para alunos e escolas e recursos para segurança e limpeza de equipamentos. Um dos grandes desafios será retomar o investimento na educação, pois a prioridade em muitos países passou a ser a injeção de dinheiro nas áreas de saúde e na economia.

“O fortalecimento dos sistemas de educação precisa estar no centro do planejamento do governo para se recuperar desta crise e dar aos jovens as habilidades e competências de que precisam para ter sucesso”, disse o secretário-geral da OCDE, Angel Gurría, ao lançar o relatório em Paris. 

Para reabrir as escolas, a entidade diz que é importante fazer uma avaliação de riscos entre os funcionários, desenvolver protocolos claros para o retorno, revisar as políticas de frequência para ajustar possíveis situações de ausência por motivos de saúde e garantir o treinamento adequado para professores e funcionários.

"A mudança real geralmente ocorre em crises profundas, e neste momento mantém a possibilidade de não voltarmos ao status quo quando as coisas voltarem ao 'normal'. Embora esta crise tenha profundas implicações disruptivas, inclusive para a educação, não têm resultados pré-determinados. Será a natureza das nossas respostas coletivas e sistêmicas a essas rupturas que irão determinar como somos afetados por elas", conclui.

Pandemia aprofundou problemas históricos, avaliam gestores

O tempo que as escolas brasileiras ficaram fechadas por causa da pandemia do novo coronavírus aumentou problemas históricos da Educação, na avaliação de gestores e representantes de entidades da área. O retorno, além dos desafios logísticos para permitir o distanciamento, observados no relatório da OCDE, terá o agravante de ter a necessidade de fornecer suporte emocional para crianças e jovens impactados pelo isolamento, dificuldades financeiras, agressões e até o luto por terem perdido ente queridos para a doença.

Presidente do Conselho Nacional dos Secretários de Educação (Consed), a secretária da pasta no Mato Grosso do Sul Cecilia Motta diz que o impacto na aprendizagem é algo que já é visível, assim como o aumento das desigualdades, e, por isso, o retorno às aulas se tornou uma questão urgente.

"O vírus vai continuar e vamos ter de voltar com os protocolos claros. Podemos fazer o revezamento (dos alunos), continuar com uma parte das aulas remotas. Todos os Estados estão pensando em álcool em gel, tirando os bebedouros. Sabemos que não vamos satisfazer toda a sociedade, porque uns querem que as aulas voltem e outros, não. Mas estamos seguindo orientações científicas."

Ela diz que o Brasil enfrentou um problema de falta de articulação entre as esferas estaduais e a federal, mas que a situação está mudando. "Já tivemos quatro reuniões com a nova secretária de Educação Básica. Estamos trabalhando em regime de colaboração e penso que vamos ajudá-la com uma plataforma nacional para ter os indicadores para tomar decisão. Saber quantos alunos receberam ou não o conteúdo, por quais instrumentos, para que o ministério agrupe tudo isso e tome decisões. Se a gente fala em educação para todos, tem de falar em conectividade para todos também."

Cecilia afirma que o plano tem de avaliar a situação dos alunos, mas ter um olhar para os próximos passos que devem ser adotados na área. "A gente precisa ter um plano nacional em cima da nova realidade e temos de pensar no futuro. Tem de ser um plano totalmente diferente do que estava sendo feito antes da pandemia."

No caso do Mato Grosso do Sul, segundo ela, a perspectiva é de que as aulas sejam retomadas nas escolas municipais e estaduais no final de outubro. Algumas escolas privadas já reabriram.

Problema crônico

"O relatório tem um olhar econômico, mas, se a gente olhar o Brasil como produtividade, já era muito ruim. É igual olhar o processo de alfabetização e a evasão escolar. É um problema crônico. A Educação não é levada a sério no Brasil, tanto que vemos que 70% querem que as aulas voltem só depois da vacina, mas as praias estão cheias", analisa Ademar Batista Pereira, presidente da Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep).

Segundo ele, a retomada terá dois principais desafios. O mais fácil será verificar o nível de aprendizagem dos alunos e trabalhar para ensinar o que eles não aprenderam. "O mais complexo é o relacionamento com as emoções. A criança ocupa um espaço dentro de casa e, se estava indo para a escola, havia uma divisão de responsabilidades, horários. Essa criança pode não querer voltar para a escola."

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Professores do Brasil têm remuneração abaixo da média mundial, diz OCDE

Salários reais médios dos profissionais chegam a US$ 24.765 por ano no ensino infantil; valor aumenta para US$ 25.005 no ensino fundamental

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

08 de setembro de 2020 | 06h00

O Brasil é um dos países cujos professores têm pior remuneração, segundo relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) sobre educação divulgado nesta terça-feira, 8. O documento mostra que a remuneração de um docente brasileiro no ensino médio é cerca de metade da média dos países ricos (a maioria entre as nações que compõem a OCDE) e é menor até do que o outro sul-americano do estudo, o Chile. 

Pesquisas já mostraram que professores bem preparados elevam significativamente as chances de aprendizagem e sucesso dos estudantes no futuro. Esse efeito é ainda maior entre os alunos mais vulneráveis. A remuneração mais elevada, segundo parte dos especialistas, é uma estratégia para tornar a carreira mais atratativa para novos profissionais e para reter talentos. 

"No Brasil, os salários reais médios dos professores chegam a US$ 24.765 no ensino infantil (inferior à média da OCDE de US$ 38.677), US$ 25.005 no ensino fundamental inicial (inferior à média da OCDE de US$ 43.942), US$ 25.272 no fundamental anos finais (inferior à média da OCDE de US$ 46.225) e US$ 25.966 no ensino médio (inferior à média da OCDE de US$ 49.778)", diz o relatório, se referindo a valores anuais. Esses dados incluem também remunerações de diretores de escolas. No caso do Chile, esses salários médios são US$ 28.183 para educação infantil; US$ 27.708 nos anos iniciais do fundamental; US$ 28.358 nas séries finais do fundamental e US$ 29.967 no ensino médio. 

O documento explica que essas quantias refletem os salários reais, incluindo pagamentos adicionais relacionados ao trabalho. É um valor de média, pois o salário de um professor depende do nível de experiência e de sua qualificação profissional, de sua idade e até do lugar em que dá aulas. Desde 2009, a legislação brasileira prevê um piso para o magistério.  Esta referência vale para o docente da rede pública em início de carreira, com formação em nível médio (nos casos de professores da deducação infantil e dos anos iniciais do fundamental) e carga semanal de 40 horas. É calculado com base no valor anual mínimo por aluno de repasse do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e Valorização dos Profissionais do Magistério (Fundeb). O valor atual deste mínimo é de R$ 2.886,24 (2,7 salários mínimos). 

Além da dificuldade de o professor brasileiro receber salários mais altos, outro ponto que a pesquisa aborda é o fato de que muitos educadores estão perto da aposentadoria e há preocupação com a reposição dos quadros docentes. Isso ocorre não apenas no Brasil, mas em diversos países do mundo.

"Uma grande parte dos professores em muitos países da OCDE atingirão a idade de aposentadoria na próxima década, enquanto o tamanho da população em idade escolar deverá aumentar em alguns países, colocando muitos governos sob pressão para recrutar e treinar novos professores. No Brasil, 11% dos professores do ensino fundamental são considerados jovens (com menos de 30 anos), o que é um pouco abaixo da média da OCDE, de 12%", afirma.

"Em média, nos países da OCDE, a proporção de jovens professores diminui em outros níveis de ensino, para 10% no ensino fundamental anos finais e 8% no ensino médio. No Brasil, a proporção de jovens professores permanece a mesma, por volta de 10% em ambos os casos", di o relatório.

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Maior nível de escolaridade aumenta as chances de ter um salário melhor, afirma estudo

Relatório da OCDE aponta um abismo social no mercado de trabalho quando se tem ou não um diploma universitário

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

08 de setembro de 2020 | 06h00

O relatório mais recente da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) reforça o impacto que a educação superior pode ter na renda de uma pessoa e diz que isso pode gerar aumento do desemprego para os jovens menos qualificados. O documento foi publicado nesta terça-feira, 8, e aponta um abismo social no mercado de trabalho quando se tem ou não um diploma universitário.

"No Brasil, em 2015, pessoas de 25 a 64 anos com diploma de ensino superior com renda de emprego em tempo integral ganhavam 144% a mais do que trabalhadores em tempo integral, com apenas ensino médio concluído, em comparação com 54% em média em todos os países da OCDE", afirmou no documento, evidenciando uma enorme desigualdade social.

"Os jovens podem enfrentar barreiras para entrar no mercado de trabalho durante a transição quando saem da escola, mas um maior nível de escolaridade aumenta a probabilidade de estarem empregados e isso está associado a rendas mais altas", continua a organização.

A OCDE explica que, em média, nos países associados, a taxa de emprego em 2019 foi de 61% para pessoas de 25 a 34 anos sem ensino médio, 78% para aqueles com ensino médio completo e 85% para aqueles com o ensino superior. Os dados do Brasil são semelhantes a esses. "Ter um diploma de ensino superior também traz uma vantagem considerável de ganhos na maioria dos países da OCDE e parceiros."

O documento da organização também garante que a expansão do ensino superior é uma tendência mundial. E no caso do Brasil tem uma boa notícia. "Entre 2009 e 2019, a proporção de jovens de 25 a 34 anos com diploma de ensino superior aumentou em todos os países da OCDE e parceiros. No Brasil, a participação aumentou 10% nesse período, superior ao aumento médio dos países da OCDE (9%)."

Apesar desse crescimento brasileiro acima da média, o País ainda está bem longe em comparação com a realidade das grandes nações. "Em 2019, 21% das pessoas de 25 a 34 anos tinham diploma de ensino superior no Brasil, em comparação com 45% em média nos países da OCDE", diz o relatório.

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Relatório da OCDE aborda o ensino profissionalizante e os efeitos da pandemia na educação escolar

Intenção do documento publicado é avaliar o desempenho dos sistemas educacionais

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

08 de setembro de 2020 | 06h00

A pandemia de coronavírus atingiu o mundo inteiro e provocou o fechamento de escolas por um longo período. Mas um dos segmentos mais atingidos foi o ensino profissionalizante, tema central do relatório de 476 páginas que a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) publicou nesta terça-feira, 8.

"Os protocolos de isolamento social e o fechamento de muitas empresas tornaram praticamente impossíveis a aprendizagem prática que é de suma importância para o ensino profissionalizante, um setor que desempenha um papel central para garantir o alinhamento entre educação e trabalho, a transição bem-sucedida para o mercado de trabalho", explica Angel Gurría, secretário-geral da OCDE.

O documento traz centenas de indicadores de diversos países, incluindo os 37 países membros e outros como Brasil e Rússia, que foram parceiros nesse projeto que destacou o impacto de aprendizagem, o acesso à educação, o investimento de recursos financeiros no setor, a organização das escolas, a valorização dos professores e o ambiente escolar.

"Nossa capacidade de reagir com eficácia e eficiência no futuro dependerá do planejamento e atuação dos governos. Por meio de seu papel no desenvolvimento de competências e habilidades necessárias para sociedade de amanhã, os sistemas de educação precisarão estar no centro deste planejamento", diz Gurría.

A intenção do documento publicado é avaliar o desempenho dos sistemas educacionais de cada país como um todo. "No entanto, há um reconhecimento crescente de que muitas características importantes do desenvolvimento, funcionamento e impacto dos sistemas educacionais só podem ser avaliados por meio de uma compreensão dos resultados da aprendizagem e suas relações com os insumos e processos no nível de indivíduos e instituições", diz o relatório.

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