Fatec Itaquera não pode receber aulas da USP Leste, diz Centro Paula Souza

Outras duas unidades foram oferecidas à universidade; começo das atividades está previsto para a próxima segunda-feira

Victor Vieira, O Estado de S. Paulo

21 Março 2014 | 13h44

Atualizado às 18h15.

A Faculdade de Tecnologia (Fatec) de Itaquera, na zona leste, não poderá receber as aulas dos alunos do câmpus Leste da Universidade de São Paulo (USP). A unidade constava no comunicado oficial da reitoria nessa quinta-feira, 20, mas o Centro Paula Souza afirma que a faculdade não tem condições estruturais para receber as aulas.

De acordo com o Centro Paula Souza, autarquia responsável por administrar as Fatecs e escolas técnicas estaduais (Etecs), outras duas unidades da rede foram disponibilizadas: a Fatec Tatuapé, também na zona leste, e a Etec Santa Ifigênia, no centro.

Com o câmpus interditado desde janeiro por problemas ambientais, a USP Leste terá suas atividades espalhadas neste semestre. Uma instituição particular, as faculdades do quadrilátero da Saúde (Medicina, Saúde Pública, Enfermagem e Medicina Tropical) e um prédio da Escola Politécnica receberão as aulas temporariamente.

O começo das atividades está previsto para esta segunda-feira, 24. A assessoria de imprensa da USP confirmou o equívoco do comunicado e disse que as unidades usadas pelos estudantes do câmpus Leste serão as indicadas pelo Centro Paula Souza.

Críticas. Divulgado às pressas, o informe da reitoria sobre a transferência das atividades acadêmicas desagradou professores, alunos e funcionários da USP Leste. Em reunião da Comissão de Graduação da unidade nesta sexta-feira, 21, os docentes afirmaram que não há condições de iniciar o ano letivo na segunda-feira. Segundo eles, não há espaço suficiente nos prédios oferecidos na reitoria para receber os cerca de 5 mil alunos da unidade. Outro problema é a falta de laboratórios e outras salas para atividades práticas.

Em carta divulgada nas redes sociais, o Centro Acadêmico Oswaldo Cruz, da Faculdade de Medicina, cobrou explicações sobre o planejamento para a transferência das atividades acadêmicas da USP Leste. O CA explicou que houve um mal entendido com o comunicado de mudança, resolvido depois com a diretoria, que detalhou aos alunos como será a distribuição das atividades nos prédios e garantiu que haverá infraestrutura necessária para receber as aulas extras.

"Nunca fomos contrários à vinda dos alunos EACHianos para a Faculdade de Medicina. Inclusive o próprio CAOC, há 2 semanas, propôs à Diretoria de nossa unidade a cessão de salas de aula para suporte à EACH", afirma a nota do CA, divulgado nesta sexta-feira. "Não houve diálogo anterior à notificação, de modo que considerou-se essencial onsultar se havia sido prevista infraestrutura e planejamento necessários para um bom recebimento dos alunos da EACH, além de informar à comunidade FMUSP. Assim, revisitamos essas questões com a Diretoria nessa manhã, e foi confirmada a garantia das condições adequadas, bem como o remanejamento das atividades da Faculdade de Medicina anteriormente previstas nos locais cedidos.", diz o texto.

A assessoria de imprensa da Faculdade de Medicina da USP informou que "algumas atividades noturnas extracurriculares e cursos de extensão foram remanejados para o Hospital das Clínicas para poder liberar espaço para as atividades". Segundo o órgão, "professores, funcionários e alunos são solidários aos alunos da USP Leste".

A decisão sobre a volta às aulas deve ser tomada no próximo encontro da Congregação da USP Leste, órgão máximo da unidade, na terça-feira, 25. No mesmo dia haverá reunião do Conselho Universitário (CO), principal instância da USP, no câmpus Butantã, zona oeste da capital. Nas redes sociais, estudantes convocam um novo protesto em frente à sala do CO também na terça.

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