Agência Brasil - 26/5/2020
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Falta professor em 17% das aulas do novo ensino médio na rede estadual de SP

Etapa prevê que alunos escolham assuntos para se aprofundar, mas há menos opções em escolas de baixa renda, mostra estudo

Júlia Marques, O Estado de S.Paulo

04 de junho de 2022 | 05h00

O novo ensino médio na rede estadual de São Paulo enfrenta falta de professores para as aulas específicas e menos oportunidades de escolha de trajetória entre os estudantes mais pobres. Essas são as principais conclusões de um estudo realizado por pesquisadores da Rede Escola Pública e Universidade (Repu).

Mudanças curriculares no ensino médio brasileiro preveem que os estudantes escolham as áreas nas quais querem aprofundar os estudos: são os chamados itinerários formativos. A alteração no modelo foi feita para tornar a etapa - um dos principais gargalos da Educação no País - mais flexível e atrativa aos jovens.  

Segundo o levantamento da Repu, porém, 22,1% das aulas relacionadas aos itinerários formativos no novo ensino médio da rede estadual paulista não haviam sido atribuídas a nenhum professor no início de abril deste ano, quando o 1º bimestre já havia sido concluído. A Secretaria Estadual da Educação informou que o porcentual mais atualizado, relativo a esta semana, é de 17%.

“O cenário mostrado nesses dados é alarmante: é como se os/as estudantes tivessem, em vez de cinco dias letivos por semana, apenas quatro”, apontam os pesquisadores da Repu, ligados à Universidade Federal do ABC (UFABC), à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e ao Instituto Federal de São Paulo (IFSP). A nota é assinada por Ana Paula Corti, Débora Cristina Goulart e Fernando Cássio.

A  secretaria destacou que as aulas sem professores atribuídos são específicas dos itinerários formativos do ensino médio, hoje aplicados aos alunos do 2.º ano. “Temos algumas dificuldades de implementação de uma política pública que qualquer reforma educacional, qualquer mudança de currículo, passa no começo”, afirmou o coordenador do ensino médio da Seduc, Gustavo Mendonça.

Segundo ele, alunos que estejam em aulas sem professores acompanham as classes por meio de uma plataforma online criada durante a pandemia. “Temos transmissão no Centro de Mídias de conteúdos diariamente dos itinerários formativos. Um estudante que tenha alguma aula sem professor atribuído, o professor coordenador ou outro profissional vai mediar o uso dessa tecnologia.”

A pesquisa da Repu também apontou que há desigualdades na liberdade de escolha desses itinerários entre os estudantes. A possibilidade de escolher a área para se aprofundar varia conforme o tamanho da escola e da cidade onde está inserida. Um terço (35,9%) das escolas de ensino médio da rede oferta apenas dois itinerários formativos, o mínimo exigido, segundo o levantamento. 

A renda também influencia. A pesquisa cruzou dados do Índice de Nível Socioeconômico (Inse) por escola, calculado pela secretaria com base em questionários socioeconômicos, com o número de itinerários formativos ofertados. Segundo o levantamento, observa-se tendência de diminuição do Inse (quanto menor o índice, maior o nível socioecômico) à medida em que o número de itinerários formativos diferentes aumenta nas escolas.

“As escolas que atendem alunos mais próximos da classe média têm mais possibilidades de escolha”, afirma Fernando Cássio, professor de políticas educacionais na UFABC. Para o pesquisador, esse dado aponta para um aumento da desigualdade entre alunos na rede estadual e é preciso mais investimentos, tanto na contratação de professores quanto para melhorias nas escolas.

Já Mendonça pondera que o número de itinerários formativos oferecido não é determinado pelo nível socioeconômico da escola, mas pelo tamanho da unidade. Sobre os investimentos, o coordenador da Secretaria destacou os R$ 250 milhões destinados ao ensino médio nas unidades por meio do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE).  

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