Falta de luz prejudica alunos na 1ª fase da Fuvest

Alunos consideraram prova fácil; índice de abstenção ficou acima do registrado em 2007

O Estado de S. Paulo,

23 de novembro de 2008 | 21h33

A falta de luz em dois locais na capital paulista complicou a prova da Fuvest para cerca de 3 mil candidatos ontem, na primeira fase do vestibular. Na Universidade Cidade de São Paulo (Unicid), na Vila Carrão, um trabalho de manutenção programado pela Eletropaulo deixou as salas sem eletricidade até por volta das 16 horas - a prova havia começado às 13 horas. Na Lapa, a luz acabou por causa da chuva e os candidatos tiveram de esperar por 50 minutos para continuar a responder as 90 questões.    Segundo a Fuvest, os horários para o término da prova foram ampliados nos dois locais para que os vestibulandos pudessem compensar o tempo perdido. O exame estava marcado para acabar oficialmente às 18 horas. Dos 138.242 inscritos no vestibular, 5,32% faltaram à prova. Assim, 130.893 vestibulandos participaram da Fuvest - o menor número da década.  Veja também:Correção da prova de Português (1) Correção da prova de Português (2) Correção da prova de HistóriaCorreção da prova de InglêsCorreção da prova de GeografiaCorreção da prova de BiologiaCorreção da prova de QuímicaCorreção da prova de MatemáticaCorreção da prova de FísicaConfira o gabarito da 1ª fase da Fuvest  Confira a prova da 1ª fase da Fuvest Fuvest encolhe e tem menor número de candidatos em 10 anosPlanejamento é o segredo para ler obras obrigatóriasLista de relação candidatos-vaga da FuvestAgenda dos vestibulares    "Atrapalhou muito, porque além da questão psicológica, a vista doía e dava dor de cabeça", disse Thiago Marques, de 18 anos, que fez boa parte da prova com pouca luz, na Unicid. Ele afirmou que pretende reclamar com a Fuvest e "pedir um novo exame". "Fui injustiçado."  Estudantes contaram ao Estado que o vestibular começou já com falta de luz na Unicid. Por volta das 15 horas, a tempestade que caiu na cidade deixou as salas ainda mais escuras e os fiscais da Fuvest interromperam o exame. "Chegaram a falar que a prova estava cancelada e algumas pessoas começaram a ir embora. Então, outro fiscal avisou que o exame seria retomado", conta Adriano Gandolfo, de 19 anos. "As pessoas ficavam conversando, trocando idéias sobre a prova. Eu dormi", completou Marques. Por volta das 16 horas, os alunos foram autorizados a continuar a resolver as questões.  A assessoria de imprensa da Eletropaulo informou que recebeu da Fuvest a lista das 66 instituições que aplicariam provas. No início da semana, a Unicid teria recebido carta sobre uma manutenção preventiva, para um "remanejamento de carga", que seria realizado entre 9 horas e 14h30 de ontem. A manutenção foi concluída às 15h54. Além disso, a faculdade teria tido dificuldades para religar seu quadro de força. Segundo a Eletropaulo, a Unicid não a teria procurado para solicitar mudanças na manutenção.  A Fuvest afirma ter uma carta da diretoria da Eletropaulo informando que nenhuma manutenção que interrompesse o fornecimento de energia estava programa para ontem nos locais de prova. E que só poderá se manifestar sobre o que ocorreu quando analisar os relatórios de seus fiscais. O procedimento não vai influenciar na data de divulgação da lista de aprovados, marcada para 15 de dezembro.  Os professores dos cursos Objetivo e Etapa afirmaram que as questões estavam de moderadas a fáceis (mais informações ao lado). O mesmo disseram os vestibulandos que fizeram a prova na Cidade Universitária. Eles apenas reclamaram das questões de matemática e física. Karine Gottardo, de 17 anos, ficou surpresa com as questões de biologia. "Não imaginei que poderia ser tão fácil. Biologia e história me salvaram." Para o mineiro Frederico de Lima, de 19 anos, física tinha "muita aplicação de fórmula". "Agora é só torcer para encarar a segunda fase."  Das vagas em disputa, 10.557 são para a Universidade de São Paulo (USP), 100 para a Santa Casa e 50 para a Academia de Polícia Militar do Barro Branco. Esta foi a terceira vez em que as questões da prova da Fuvest não foram dividas por disciplina. Cerca de 10% do exame é de perguntas interdisciplinares. A opinião dos professores Português - A professora Célia Passoni, do Curso Etapa, afirma que a prova foi fácil, mas muito bem feita. "As questões de literatura foram concentradas nas obras e atentaram para relações intertextuais", disse. Para Nelson Dutra, do Colégio Objetivo, a prova manteve o perfil da Fuvest. Privilegia interpretação de textos ligados à bibliografia pedida e a gramática foi cobrada de maneira interpretativa, sem nomenclaturas.  Matemática - Para Edimilson Motta, do Curso Etapa, houve um predomínio de questões de geometria. "Em termos de dificuldade, a prova se manteve como sempre tem sido. Mas, como estava focada em um tema, acabou sendo menos abrangente", avaliou. Não houve nenhuma pergunta interdisciplinar de matemática, segundo Motta.  Inglês - A professora do Colégio Objetivo Cristina Armaganijan considerou a prova tranqüila, com nível médio de dificuldade. Trouxe questões interpretativas e textos de publicações atuais, como The Economist e The New York Times, mas nenhuma questão de gramática. "A prova exigiu trabalho dos alunos, pois eles precisavam ler e interpretar, mas o vocabulário estava dentro da realidade deles."História - A prova foi muito bem elaborada quanto ao grau de dificuldade, diz o professor Rogério Forastieri da Silva, do Curso Etapa. "Foi exigente com relação ao domínio da disciplina, não foi uma prova banal", disse.  Física - Para Eduardo Figueiredo, do Colégio Objetivo, a prova foi bem mais fácil que a do ano passado. "Se o aluno se preparou, gabaritou fácil", disse. O professor Marcelo Monte Forte da Fonseca, do Etapa, também considerou o exame mais simples do que no ano anterior e com grau de dificuldade mais adequado ao tempo da prova.  Química - Para Edison de Barros Camargo, do Curso Etapa, foi uma prova rotineira. "Com certeza intimidou os alunos, pois os enunciados são muito longos. É difícil perceber a situação em que os conceitos químicos têm de ser aplicados", disse. Segundo Camargo, a banca acertou a mão na questão do tempo.  Biologia - Segundo Ângelo Pavone, do Curso Etapa, a prova foi fácil, como tem sido nos últimos anos. "Tanto os textos como as alternativas foram claras e diretas", avaliou o professor. Foram questões clássicas e poucas tinham abordagem criativa. Luiz Carlos Bellinelo, do Colégio Objetivo, concordou: "A prova de biologia da Fuvest nunca traz nenhuma surpresa", disse. Geografia - Para a professora do Colégio Objetivo Vera Lucia da Costa Antunes, a prova exigia uma boa leitura e interpretação. "Provas como essa são fáceis de resolver, mas exigem do aluno concentração e paciência para ler e concluir." Segunda Fase A lista com os candidatos aprovados para a segunda fase será divulgada no dia 15 de dezembro. Serão convocados três por vaga nessa etapa, incluindo o acréscimo de notas do Enem. A segunda fase será aplicada entre 6 e 10 de janeiro, em locais de prova a serem divulgados. Os exames começarão, novamente, às 13 horas.  Apesar de o exame deste ano registrar o menor número de candidatos da última década, a procura pelos cursos de Engenharia aumentou: o volume de inscrições cresceu em 9 das 12 carreiras para engenheiros. Segundo especialistas, a demanda por profissionais da área, impulsionada pelo crescimento econômico dos últimos anos, explica o interesse dos jovens Fuvest. No curso de Engenharia Civil da USP de São Carlos, por exemplo, o número de inscrições aumentou 84,32%. No ano passado, a concorrência era de 11 candidatos para cada vaga. Hoje, já são 20.  Na segunda fase serão quatro horas de duração máxima para a prova de português, e três para as demais. A prova de português será no dia 4 de janeiro, a de história ou química no dia 5, a de geografia ou biologia no dia 6, a de física no dia 7 e a de matemática no dia 8. A lista de aprovados sai em 4 de fevereiro. (reportagem de Renata Cafardo, Aline Nunes, Rodrigo Martins e Rodrigo Pereira)

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