Faculdades usavam regionalismos para barrar forasteiros do Enem

Vestibulares de algumas instituições perguntavam dados que só moradores do Estado sabiam ou estudavam

Mariana Lenharo, Jornal da Tarde

03 de janeiro de 2012 | 12h28

Desde que o Enem passou a ser a única ferramenta de seleção para dezenas de instituições públicas em todo o País, caiu por terra a vantagem que os estudantes locais tinham em algumas dessas universidades.

 

A opinião é de Luís Ricardo Arruda, coordenador geral do Curso Anglo. “Antes, muitas universidades se utilizavam de artifícios para impedir a invasão de estudantes de outros Estados. Elas faziam questões regionais nos vestibulares. Exigiam, por exemplo, dados da história daquele Estado e do escritor que só era conhecido na região. Com o Enem, esse recurso terminou."

 

Se por um lado a mudança representa a democratização do acesso às universidades nacionais, por outro lado, cria-se um novo problema, segundo Arruda. “Imagine que um estudante de um centro mais desenvolvido procure um outro Estado para prestar exame por julgar que o ingresso ali será mais fácil. Aquela é sua segunda ou terceira opção. Logo, ele pode perceber que não há tanta vantagem em se afastar de um grande centro e desistir", analisa.

 

Na opinião de Arruda, cria-se um interesse artificial por aquelas vagas, que correm o risco de se tornarem ociosas quando os forasteiros se arrependem de terem saído de casa. Outro problema, diz, é que muitas federais que ampliaram o número de vagas nos últimos anos ficam em regiões sem capacidade de absorver a mão de obra qualificada oriunda de seus cursos.

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