Faculdades não autorizadas pelo MEC fazem vestibular para todo mundo passar

De um lado, um posto da São Paulo Transportes que vive com filas para a compra de passes. Do outro, um sacolão que vende produtos a R$ 0,99. No meio, uma portinha. É o número 200 da Rua Barão do Rio Branco, em Santo Amaro, zona sul de São Paulo. A porta dá acesso a uma escadaria que sobe da rua para o primeiro andar. No fim, a Faculdades Leonel Aguiar.Da calçada, ninguém poderia imaginar que ali existe uma faculdade. É clandestina. Disposta a formar pedagogos, professores, administradores, a Leonel Aguiar está de portas abertas para quem quiser um diploma.E tem uma proposta tentadora: as mensalidades são atreladas ao salário mínimo e só sobem quando ele também aumenta. Para "não complicar a vida" dos estudantes, as aulas ocorrem apenas duas vezes por semana e o vestibular é do tipo todo-mundo-passa.A Faculdade Paulo Freire, na Vila Prudente, zona leste, também segue a mesma linha - do preço e do vestibular - e é mais uma que está funcionando sem autorização do Ministério da Educação (MEC). Instalada no antigo Colégio José de Anchieta, ainda improvisada, começou a funcionar nesta semana. As aulas serão diárias e o pedido de regularização de funcionamento já está no ministério, garante a atendente.Erros e aprovaçãoA repórter fez vestibular para letras nas duas faculdades e, apesar do desempenho abaixo do necessário, foi aprovada em ambas.A Secretaria de Ensino Superior (SESu) do MEC - responsável pelo credenciamento das instituições - confirma que a Paulo Freire (sem nenhum vínculo com o Instituto Paulo Freire) protocolou o pedido de regularização, mas explica que ela não pode começar sua seleção antes do processo terminar.É proibido fazer qualquer tipo de vestibular sem a autorização, informa a assessoria. O protocolo não garante que a faculdade será autorizada, já que uma série de itens precisa ser aprovada, como corpo docente e instalações.Sem "perder tempo"A presidente da Associação Brasileira de Pedagogia - que é a mantenedora da Paulo Freire -, Guadalupe Gandra, explica que resolveu não esperar a decisão do MEC e fazer o vestibular proibido porque "os alunos não podem perder tempo"."Somos uma instituição sem fins lucrativos, que busca a inclusão de estudantes carentes e eles não podem esperar", diz. "Tenho certeza de que o ministério vai autorizar nosso funcionamento. É impossível que o governo seja contra nosso projeto."Na Paulo Freire há cursos de administração, direito, jornalismo, publicidade, gastronomia, informática, letras, pedagogia, turismo, entre outros. As mensalidades são de R$ 200 para os períodos matutino e noturno e R$ 180 para quem vai estudar à tarde - cerca de 80% do salário mínimo.Sem documentaçãoA Leonel Aguiar, que começou a funcionar na semana passada, garante que também já entrou com o protocolo, mas a SESu não encontrou a documentação.Leonel Aguiar, dono da faculdade, é mais um a dizer que não pode esperar pelo MEC. "A política do ministério está defasada. Ela precisa ser mais ágil e atual", afirma. "Somos um projeto social e não dá para ficar um ano esperando." Na instituição, as mensalidades custam R$ 120, o que equivale a meio salário.O MEC não sabe quantas faculdades clandestinas funcionam na capital paulista mas, na sexta-feira, 1.214 pedidos de autorização de novos cursos, apenas no Estado de São Paulo, estavam protocolados.Clique para ler mais no Erros de português são ignorados Recepcionista corrige a prova e avalia a redação Torça para o seu curso aparecer no site do MEC Nas faculdades cadastradas, também é fácil passar Governo vai estudar mudanças para os cursos superiores

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