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Faculdades já testam o formato híbrido que ficará no pós-pandemia

Webinar e lives entraram de vez no cronograma do ensino superior; e até o processo de seleção se manterá virtual em muitas instituições

Alex Gomes e Ocimara Balmant, especial para o Estadão

31 de março de 2022 | 15h00

Após tantas expectativas, o "novo normal" finalmente chegou. Para as instituições de ensino superior, significa o retorno dos estudantes e professores às salas de aula quase como era antes da pandemia. Além das máscaras, a metodologia também é um diferencial. Ferramentas utilizadas durante o período de isolamento que mostraram resultados positivos foram inseridas na formatação dos cursos de graduação e pós-graduação.

No Insper, algumas disciplinas eletivas serão mantidas no formato virtual. "Em diversas eletivas, ficou mais fácil ter professores intercambistas com as aulas a distância. Com o novo formato, pudemos aumentar a variedade de especialistas, abrindo o leque de países e instituições" explica o diretor de graduação da instituição, Guilherme Martins. "Quando a pandemia chegou, tudo se tornou online, não houve critério de escolha. Porém, tentando ver agora pela ótica do copo meio cheio, tiramos conclusões sobre o que funcionou." 

Além das aulas eletivas, palestras e encontros com ex-alunos influentes no mercado também acontecerão de forma remota. O webinar, formato de seminário online que virou moda na pandemia, também entra de vez no calendário acadêmico. A porta de entrada ao Insper também foi modificada: os vestibulares terão uma versão digital na qual os alunos farão as provas em computadores da instituição.  

Entram na conta também ferramentas que não apenas possibilitam a transposição do presencial ao virtual, mas cuja eficácia é realmente atrelada ao modo remoto, como as que envolvem simulação computacional de ambientes como uma empresa ou uma cadeia de suprimentos. Importante lembrar, diz Martins, que essas atividades oferecem ainda a formação para situações que os alunos devem encontrar em um mercado no qual o home office ganha força. "Ao executar a distância um projeto em grupo, o estudante aprende a como trabalhar remotamente. Ele ganha esse skill, se torna mais preparado para lidar com uma tendência das empresas."

No campo dos cursos de especialização, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) ofereceu, durante a pandemia, treinamento para que os professores soubessem conduzir as famosas lives, que ficaram gravadas para consulta posterior. O formato foi tão bem aceito pelos estudantes que continuará em cursos de MBA, Especialização e de curta e média duração.

"Temos uma parcela dos alunos que não quer voltar ao presencial. Assim, adaptamos nossas salas de aula para o formato híbrido e aumentamos a oferta de opções de aulas e cursos remotos", comenta Paulo Lemos, diretor de Educação Executiva da FGV.

"Adaptamos os materiais para ficarem mais dinâmicos, temos professores tutores que se encontram via aplicativos de comunicação com os alunos. Inclusive tivemos um aumento no número de alunos com as atividades remotas durante a pandemia e acreditamos que esse movimento deve continuar."

Inspirados pela pandemia

Na FGV, os desafios do trabalho remoto inspiraram a criação de duas disciplinas no MBA em Gestão Estratégica de Pessoas: Gestão de Equipes e Talentos e Storytelling. Em Gestão de Equipes e Talentos são abordados temas como gestão de equipes virtuais autogerenciáveis e em redes colaborativas. Já Storytelling trata da condução de reuniões presenciais e virtuais, marketing pessoal e relacionamento com a mídia e as redes sociais.

O campo dos cursos de pós-graduação stricto-sensu também conta com medidas implementadas na pandemia e que vieram para ficar. Na PUC-SP, as defesas de teses de doutorado e dissertações de mestrado terão a opção de membros externos das bancas avaliadoras atuarem remotamente, o que facilitará a participação de especialistas de outras instituições e estrangeiros. "Muitos especialistas não podiam vir às bancas presenciais por questões de agenda, tempo ou distância. Com a participação remota, podemos ampliar o leque de membros externos, que ajudam a dar um importante olhar externo às pesquisas", diz Márcio Alves da Fonseca, pró-reitor de pós-graduação. 

Outra decisão da PUC-SP é sobre as reuniões e atividades dos grupos e redes de pesquisa, que também não precisarão mais ocorrer exclusivamente de forma presencial.

"Há uma impressão generalizada de que a atividade de pesquisa é estritamente individual e solitária, do pesquisador com o seu objeto teórico. Na verdade, é uma atividade que se dá em rede, com pesquisadores que podem ser de outras áreas. É uma atividade colaborativa que, com as novas tecnologias digitais de comunicação, pode ser facilitada e ampliada", diz ele.

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