Faculdade para negros terá US$ 25 mil da Coca-Cola

A Fundação Coca-Cola, com sede em Atlanta, nos Estados Unidos, garantiu o investimento de US$ 25 mil por ano na primeira faculdade brasileira voltada para estudantes negros. A empresa confirmou o apoio em entrevista coletiva concedida nesta terça-feira em São Paulo pelo secretário da instituição americana Rainbow Push, Joseph Beasley, que tem sido o intermediário entre a multinacional e a Afrobras, organização não-governamental paulista responsável pelo projeto da faculdade. Batizada de Zumbi dos Palmares, a instituição abrirá seus vestibulares em novembro e oferecerá, numa primeira etapa, apenas o curso de Administração de Empresas. As aulas começam em março. A faculdade terá como sede provisória o antigo prédio do Fórum de São Bernardo do Campo. Consciência negraPelo projeto, pelo menos 50% das vagas do curso serão destinadas a negros. Entre os critérios que pesarão na disputa das vagas pelos estudantes afro-descendentes estarão conhecimento, condição socioeconômica e nível de consciência da temática do negro. "Questões como racismo, tolerância, cidadania perpassarão todas as matérias do curso", diz o presidente da Afrobras, José Vicente. Em princípio, segundo ele, a parceria com a Coca-Cola vai durar dez anos. "Além do aporte financeiro, haverá também um aporte logístico que deve ser acertado nos próximos 40 dias", disse Vicente. Por esse acordo, a fundação também contribuiria com a instalação de bibliotecas, laboratórios e salas de informática. Vicente esteve em Atlanta na semana passada após uma série de contatos iniciados no ano passado, por meio da Rainbow Push - criada pelo senador americano Jesse Jackson, veterano ativista do movimento negro nos EUA. ParceirosO projeto da faculdade já conta com mais de uma dezena de parceiros. Entre eles, a Universidade Paulista (Unip) e as Universidades Metodistas de Piracicaba e de São Bernardo, que, segundo Vicente, contribuirão com a contratação de professores. O Centro Paula Souza ajudará a estruturar a faculdade, afirmou. Com as parcerias, a Afrobras quer que as mensalidades sejam "ínfimas", para permitir a inserção de uma camada de estudantes que está fora do ensino superior. Dos cerca de 1 milhão de universitários brasileiros, apenas cerca de 2% são negros.

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