Faculdade de Medicina conclui que trote foi violento e identifica 7 veteranos

Calouro foi encontrado seminu à beira da piscina no dia seguinte a festa, com vômito e urina sobre o corpo

Chico Siqueira, Especial para O Estado

23 Abril 2014 | 20h43

SÃO JOSÉ DO RIO PRETO - Após ouvir 80 estudantes do 1.º ano, a Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp) concluiu que houve trote violento na festa de recepção aos calouros do curso de Medicina, em 18 de março, e identificou sete veteranos responsáveis pelo trote. Os estudantes responderão a uma comissão de sindicância que será instalada nesta quinta-feira, 24.

Dezenove estudantes disseram ter presenciado cenas de humilhações verbais e físicas contra os calouros. Segundo eles, os veteranos ameaçaram e coagiram os alunos mais novos para que participassem da festa, realizada em um clube a duas quadras da Famerp. Eles disseram que os calouros foram recebidos com "banhos de cerveja gelada sobre a cabeça e o corpo" e "obrigados a comer alho cru e a consumir bebidas alcoólicas".

O diretor-geral da Famerp, Dulcimar Donizeti de Souza, disse que a comissão de sindicância vai ouvir os 19 alunos e os 7 acusados. "Em dez dias essa comissão vai apresentar um relatório com a punição proposta, que vai de advertência até mesmo suspensão dos responsáveis", disse. Os alunos acusados podem se apresentar com advogados e recorrer a conselhos da escola antes de serem punidos.

A denúncia de trote violento partiu do estudante Luiz Fernando Alves, de 22 anos, que disse ter sido agredido fisicamente e humilhado na festa. Alves afirmou que alunos mais velhos o fizeram beber álcool e que, além de o agredirem com socos e chutes, urinaram em seu corpo. Ele foi encontrado seminu à beira da piscina no dia seguinte ao trote, com vômito e urina sobre o corpo. Depois de denunciar o caso à polícia, ele foi ameaçado de morte, abandonou a escola e retornou para sua casa, em Contagem (MG).

MP. O Ministério Público também investiga o trote violento. Além dos estudantes, a direção da escola também é investigada, por não cumprir lei que previne trotes violentos. Os diretores também poderão ser investigados e responder, na esfera civil, por crime de improbidade administrativa. A Famerp, que é uma autarquia estadual, é considerada uma das melhores do País. O MP determinou a reabertura do caso, que havia sido arquivado pela Polícia Civil, depois de a Secretaria de Direitos Humanos, de Brasília, requisitar informações sobre o caso.

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