Faculdade de Direito da USP sugere que MP investigue reitor

São Francisco aponta cinco supostos atos de improbidade administrativa cometidos por João Grandino Rodas

Carlos Lordelo, Estadão.edu

17 de outubro de 2011 | 22h59

A Faculdade de Direito do Largo São Francisco enviou ofício ao Ministério Público, nesta segunda-feira, sugerindo a abertura de investigação sobre supostos atos de improbidade administrativa cometidos pelo reitor da USP, João Grandino Rodas.

 

O documento cita, por exemplo, a transferência de parte do acervo das bibliotecas do prédio histórico para um edifício anexo à faculdade, “em precárias condições de uso”, e o emprego de verbas públicas para impressão e distribuição de boletins da Assessoria de Imprensa da USP em que Rodas critica a atual gestão da São Francisco.

 

O ofício foi entregue pessoalmente pelo diretor da faculdade, Antonio Magalhães Gomes Filho, ao procurador-geral de Justiça, Fernando Grella Vieira. A Congregação da São Francisco decidiu acionar o MP por unanimidade, em reunião no dia 29 de setembro. “Encaminhamos os fatos e pedimos ao procurador que faça a apuração de acordo com as possibilidades do MP”, disse Gomes Filho.

 

Segundo a Congregação, a mudança da biblioteca – último ato de Rodas quando dirigia a São Francisco, em janeiro de 2010 – causou “notório prejuízo às atividades de ensino e pesquisa” da unidade. Assim que tomou posse, Gomes Filho mandou parte do acervo voltar para o prédio histórico.

 

O ofício também fala do contrato de gaveta assinado entre Rodas e os herdeiros do banqueiro Pedro Conde – ex-aluno da faculdade – que previa a doação com encargo de cerca de R$ 1 milhão para reforma de uma sala e banheiros da São Francisco. A contrapartida era nomear a sala com o nome do banqueiro. O batismo efetivamente ocorreu, mas depois foi revisto pela Congregação quando os termos do contrato vieram à tona. Funcionários retiraram a placa em homenagem ao benemérito, o que levou os herdeiros de Pedro Conde a processar a universidade.

 

Outro ponto que consta do documento é o “empréstimo” de dois tapetes orientais da Faculdade de Direito ao gabinete da reitoria. A oferta foi feita por Rodas no seu último dia à frente da São Francisco. As peças artesanais haviam sido doadas à faculdade por sua entidade de apoio, a Fundação Arcadas.

 

Persona non grata

 

O reitor da USP e a Faculdade de Direito estão em rota de colisão desde meados do ano passado. No último mês de agosto, Rodas criou polêmica ao questionar o Clube das Arcadas, empreendimento privado do Centro Acadêmico XI de Agosto, em parceria com a Associação de Antigos Alunos e da Atlética, a ser construído no Parque do Ibirapuera.

 

O reitor também usou dois boletins especiais da universidade para criticar Gomes Filho e o clima de “caça às bruxas” da São Francisco. Em apoio ao diretor, a Congregação da faculdade decidiu declarar Rodas persona non grata na escola. O reitor pediu revisão do título.

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