Faculdade da USP proíbe alunos de organizarem debate com candidatos à Prefeitura

Procurador-geral da universidade recomendou veto ao evento devido ao 'risco de utilização política'

Bruno Lupion, de O Estado de S. Paulo - Texto atualizado às 19h50,

14 Setembro 2012 | 09h20

A Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP) proibiu seu alunos de realizarem um debate com candidatos à Prefeitura de São Paulo dentro do prédio da unidade. O caso ocorreu em maio e chegou ao Tribunal de Justiça de São Paulo, que decidiu não opinar sobre a questão para preservar a autonomia universitária. Na quinta-feira, 13, o Centro Acadêmico Visconde de Cairu (CAVC), entidade representativa dos alunos da FEA, anunciou que havia perdido a batalha.

 

Os estudantes das faculdades de Direito, Engenharia e Saúde Pública da USP não foram impedidos de realizar eventos com os candidatos nos últimos meses. Já o diretor da FEA, Reinaldo Guerreiro, deu interpretação rigorosa a uma circular do gabinete do reitor, João Grandino Rodas, que restringe o uso dos prédios da universidade "para quaisquer fins eleitorais".

 

Para vetar o debate, Guerreiro se escorou em um parecer do procurador-geral da USP, Gustavo Mônaco, que concluiu que a universidade teria dificuldade em evitar o "uso político" do evento e que haveria "risco de utilização política" pelos candidatos. Mônaco cita o artigo 73 da Lei das Eleições, que proíbe servidores públicos a cederem imóveis públicos em benefício de uma determinada candidatura, e sugere que os alunos organizem o debate fora do câmpus da USP.

 

A procuradora Ana Maria da Cruz, que também assina o parecer, defende que a USP se organize para evitar o uso político de debates e as manifestações de caráter político-partidário no espaço da universidade. "Não parece oportuna a realização (do debate) no câmpus", opinou.

 

A decisão incomodou o CAVC, que havia convidado os seis candidatos mais bem colocados nas pesquisas e confirmado a presença de Fernando Haddad (PT), Gabriel Chalita (PMDB) e Carlos Gianazzi (PSOL). Para os estudantes, o debate político é essencial à universidade. "A universidade não é só educação formal dentro da sala de aula, o debate político sempre fez parte desse ambiente e é um dos pilares da nossa formação", afirmou o presidente do CAVC, André Avrichir, 22 anos.

 

O Centro Acadêmico XI de Agosto, da Faculdade de Direito, ofereceu uma sala no Largo de São Francisco para que o CAVC realize seu debate. "A universidade é o espaço legítimo para isso, desde que não haja favorecimento", defende a diretora do "XI" Olívia Almgren, 21 anos.

 

O reitor nega que tenha partido dele a probição e transfere a responsabilidade pela decisão a Guerreiro. Por meio de nota, Rodas afirma que não vetou debates eleitorais na universidade e cita, como exemplo, evento ocorrido na quarta-feira, 14, na Faculdade de Saúde Pública com Gianazzi (PSOL), Soninha Francine (PPS), Miguel Manso (PPL), Anaí Caproni (PCO) e representantes de outras candidaturas.

A reportagem entrou em contato com Guerreiro, que preferiu não comentar.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.