Faap leva estudantes ao Oriente Médio no carnaval

Viagem é a quinta "missão estudantil"; alunos vão aprender ao vivo sobre região de conflito

Carolina Stanisci, Especial para o Estadão.edu

10 Fevereiro 2010 | 17h16

Dez estudantes do curso de Relações Internacionais da Fundação Armando Alvares Penteado (Faap) vão passar o carnaval entre a Jordânia, a Cisjordânia e Israel, no projeto "Caminhos de Abraão". É a quinta edição da viagem batizada de missão estudantil que já levou alunos e professores à China e aos Emirados Árabes.  Os estudantes embarcam no dia 12 rumo a Amã, capital da Jordânia, com o jornalista da TV Globo William Waack, que é professor no curso de Relações Internacionais, do vice-diretor da Faculdade de Economia, Luiz Alberto Machado, e de outros professores da instituição.  Entre sábado e domingo, o grupo vai conhecer a capital da Jordânia. Na segunda-feira, começa o trajeto que refaz o caminho do personagem bíblico Abraão. O Caminhos de Abraão da Faap é inspirado num projeto incubado na Universidade de Harvard depois transformado na ONG transnacional Iniciativa Caminho de Abraão.  O programa refaz o trajeto do personagem bíblico pelo Oriente Médio, que é berço das três maiores religiões monoteístas do mundo, o cristianismo, o judaísmo e o islamismo, e tem como meta uma reflexão sobre a pacificação da região.  Embora a viagem narrada na Bíblia tenha começado em Ur, na Mesopotâmia (atual Iraque), o roteiro começa na cidade de Nablus, na Cisjordânia. Os alunos e professores vão pernoitar em casas de famílias nos vilarejos de Awara e Awarta, na Cisjordânia, e também vão visitar as cidades de Jerusalém, Belém e Hebron, em Israel. O grupo também se reunirá com lideranças locais, como prefeitos, reitores de universidades e dirigentes de ONGs.  "Tudo o que sabemos sobre essa região vem do que lemos e do que ouvimos falar. Sempre ficamos com a impressão de alguém sobre o lugar. Será a chance de os alunos construírem uma visão própria da realidade", diz Machado.   SEM APERTAR A MÃOO grupo da Faap contará com o apoio dos guias da ONG, embora não vá visitar exatamente os mesmos pontos do trajeto. O objetivo é transformar a experiência em uma aula ao vivo. Para tanto, diz Machado, a presença de William Waack foi primordial.  O professor, que também é apresentador de TV, tem experiência em coberturas internacionais na região. "Ele se empenhou para que entrassem no roteiro cidades como Hebron, palco de conflitos entre os colonos judeus e palestinos, e também o Museu da Diáspora, em Tel Aviv", conta. Raphael Gheneim Camargo, de 20 anos, no 3º ano de Relações Internacionais, é um dos que embarcam na próxima sexta e está cheio de expectativas.  "Acho que vai ser tudo totalmente diferente do que eu posso esperar. Por mais que eu costume viajar, não vou para esse tipo de lugar", diz ele, que como todos os participantes, desembolsou US$ 3 mil (R$ 5565) ao total para a empreitada. "Nos deram dicas. Para as meninas, falaram para andarem cobertas nos vilarejos, para serem discretas e para não falarem com homens. Para os meninos, falaram para a gente não oferecer a mão para apertar, pois pode ofender." Camargo diz que seus avós maternos, libaneses, estão contentes com a viagem do neto. "Eles falaram muito sobre Jerusalém, que é magnífica. Mas ficaram com pena de não dar para eu dar um pulo no Líbano e ver nossos parentes lá", brinca.  A viagem termina em Tel Aviv, e os estudantes voltam ao Brasil no dia 21. Em julho de 2010, a previsão da Faap é fazer uma edição da missão estudantil no Japão e na Coreia do Sul.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.