Extensão para lideranças populares forma primeira turma

Sessenta e quatro integrantes de movimentos populares concluíram esta semana o primeiro curso de extensão de uma instituição de ensino superior do País voltado para formação de lideranças populares. Eles representam a primeira turma do curso de extensão "A Realidade Brasileira a partir dos grandes pensadores", uma iniciativa pioneira que nasceu de uma parceria entre a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e a Escola de Formação Florestan Fernandes, ligada ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST).O curso teve início em 2001 e foi dividido em quatro módulos, realizados sempre durante os períodos de recesso da universidade. Oriundos dos mais combativos movimentos sociais que atuam em várias partes do Brasil, os alunos se debruçaram sobre conceitos de política, filosofia, economia e antropologia e estudaram pensadores como Celso Furtado, Milton Santos e Darcy Ribeiro."Foi uma experiência boa, uma oportunidade da universidade cumprir a sua função social", avaliou ontem (27) a coordenadora do projeto, a professora da Faculdade de Serviço Social da UFJF, Cristina Bezerra. Segundo ela, a idéia central do curso era "discutir o Brasil para pensar propostas de mudanças". A coordenadora disse que a partir da primeira experiência da UFJF, outras cinco propostas semelhantes, com enfoque regionalizado, vêm sendo desenvolvidas em outras universidades brasileiras. Além do MST, participaram do curso integrantes de outros 12 movimentos sociais do Brasil, entre eles o Movimento dos Sem-Teto, o Movimento dos Trabalhadores Desempregados do Rio Grande do Sul, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), o Movimento das Mulheres Agricultoras e o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA)."Nós queremos transformar o Brasil, mas queremos ter uma base teórica. Nunca tivemos uma a oportunidade de entrar numa universidade", observou Ênio Bohnemberger, um dos formandos e coordenador do MST em Minas. "Até o (ex-presidente) Fernando Henrique (Cardoso) nós estudamos". A idéia de criar o curso surgiu em 1999, quando a "Marcha Popular pelo Brasil" passou por Juiz de Fora. Na ocasião, os representantes do MST, em uma audiência com a reitora Margarida Salomão, solicitaram a criação de um curso de formação de lideranças sociais.A cerimônia de formatura foi realizada nesta terça-feira no auditório da Faculdade de Serviço Social da UFJF. Os alunos comemoraram o diploma cantando hinos dos respectivos movimentos sociais.

Agencia Estado,

27 de fevereiro de 2003 | 16h48

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