Expulsão de Geisy transforma Uniban em alvo na internet

Blogs, twitters e comentários condenam atitude como erro de marketing e demonstração de machismo

estadao.com.br,

09 Novembro 2009 | 14h49

A decisão da Universidade Bandeirante (Uniban) de punir com expulsão a estudante Geisy Arruda, que havia sido vítima de perseguição por outros alunos da instituição por usar um vestido considerado excessivamente curto, atraiu condenação praticamente unânime na internet brasileira e fez notícia dos Estados Unidos à Índia, onde um site noticioso relacionou o caso a polêmicas locais envolvendo a burca e a proibição do uso de calças jeans em algumas instituições de ensino.

 

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A condenação à atitude da universidade uniu desde o blogueiro Reinaldo Azevedo à União Nacional dos Estudantes (UNE). No Twitter, a instituição já recebeu o apelido de "UNItaleBAN", em referência à milícia extremista islâmica afegã conhecida pela repressão violenta que impõe às mulheres. Um abaixoassinado de repúdio à instituição instalado no petitionline.com reunia, pouco antes das 14h30 desta segunda-feira, 9, mais de 3.200 assinaturas.

 

Os comentários negativos vão desde análises que interpretam a expulsão como um erro grosseiro de marketing e relações públicas que fere a imagem da universidade a avaliações que tratam a decisão como "fascista" e a universidade como "fábrica de diplomas".

 

Em nota publicada neste domingo em jornais de São Paulo, Estado onde fica a Uniban, a instituição responsabiliza a aluna pelo episódio ocorrido no último dia 22, quando estudantes formaram uma multidão que a ameaçou de linchamento por causa da roupa que ela usava. "Foi constatada atitude provocativa da aluna, que buscou chamar a atenção para si por conta de gestos e modos de se expressar", diz a nota da Uniban. A instituição considerou ainda que a atitude dos outros alunos foi uma "reação coletiva de defesa do ambiente escolar".

 

Apesar de também suspender, temporariamente, das atividades acadêmicas os demais alunos envolvidos e devidamente identificados no incidente, a universidade ressaltou o apoio a seus "60 mil alunos injustamente aviltados" pela cobertura midiática sobre o caso.

 

Abaixo, excertos de algumas das repercussões de maior destaque:

 

(...) temos hoje no Brasil mais de 1.200 faculdades de direito, contra 182 nos EUA e temos no Brasil mais faculdades de medicina do que toda a Europa. Estamos enganando jovens e seus pais, formando falsos preparados para nada, uma legião de desempregados diplomados, na recente inscrição para emprego de garis no Rio se inscreveram 2.000 com curso superior. (Blog de Luis Nassif)

 

O que se viu naquela, digamos, “universidade” é sintoma de uma doença que corrói o ensino universitário brasileiro, que está no auge de sua expansão bárbara. Bárbara mesmo! Agora é o dinheiro público que financia a tomada de poder pelos hunos. (Blog de Reinaldo Azevedo)

 

O caso da moça da saia curta na Uniban, que culminou na surpreendente e absurda decisão da universidade de expulsar a aluna e apenas suspender os agressores, coloca em evidência o segmento das universidades populares, outro fenômeno criado pelo fortalecimento da Nova Classe Média Brasileira nos últimos anos. (BlueBus)

Para presidente da UNE, decisão da UNIBAN de expulsar Geisy Arruda é carregada de machismo, preconceito e autoritarismo. (Blog do Cuca - UNE)

Estamos todos entusiasmados para ver a Uniban ser apedrejada publicamente por uma atitude que, a princípio, a maior parte das empresas toma ou tomaria, que é: defender seus clientes e optar por ter menos dor de cabeça apostando que eventuais notícias negativas não se espalhariam. (Blog Talk - Juliano Spyer)

 

O que vimos na UniBan, a perseguição, as ameaças de estupro, a humilhação, a violência cometida contra uma estudante pelo tamanho do seu vestido - muito mais comportado do que muitos que já vi na PUC ou USP, por exemplo - não é algo típico do Brasil, ou não deveria ser. Mas, no Afeganistão, Arábia Saudita ou na Europa Medieval, seriam lugar-comum. (Blog Trezentos)

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