Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Expert em big data é essencial em todos os segmentos

Capaz de gerir um grande volume de informações, especialista consegue ajudar a traçar estratégias e influencia em questões práticas, como a prescrição correta de medicamentos; curso atrai profissionais de todas as áreas

Ocimara Balmant e Alex Gomes, Especial para o Estadão

25 de setembro de 2020 | 11h00

Após momentos de espera em um consultório médico, o painel sinaliza o número da senha do paciente e ele se dirige ao balcão de atendimento para o cadastro inicial de uma consulta. A seguir, é encaminhado a uma área de triagem na qual serão coletadas informações preliminares sobre sua saúde. Logo após, um clínico geral verificará com mais detalhes as condições da pessoa e vai recomendar medicações, tratamentos ou exames. Ao terminar, o paciente terá em mãos um receituário com algumas informações e, sem perceber, terá deixado centenas de megabytes de dados com sua visita.

“Há hospitais que podem capturar até um giga de informações por dia, mês ou até por hora”, explica Sematiel Silva Azevedo, aluno do 4º semestre do curso de Curso de Tecnologia em Big Data da Fiap. “Um exame de ressonância pode gerar sozinho 3 gigabytes de dados, com milhares de fotos e dados do que é escaneado do corpo.”

Azevedo é um exemplo cada vez mais comum de profissional que atua em segmentos diversos, como Saúde, Direito ou engenharias, mas que se veem impelidos ao estudo de big data ou ciência de dados para tirar proveito do grande volume de informações que são processadas no seu dia a dia.

Atualmente, Azevedo gerencia projetos de tecnologia da informação em diversos hospitais pelo País e, por causa do curso, consegue auxiliar as instituições tanto em sua governança como em maior eficiência nos atendimentos. “O sistema ajuda a monitorar o histórico do paciente. Assim, caso um médico vá prescrever um medicamento, o sistema informa no ato se ele pode dar reação com outro prescrito anteriormente.”

Allen Oberleitner, coordenador acadêmico do Curso de Tecnologia em Big Data da Fiap, explica que a procura do curso por profissionais de fora do nicho de tecnologia só mostra como a análise de dados permite a busca por padrões de comportamento para tomada de decisões de negócio em áreas distintas.

A sala de aula, com gente de Saúde, Direito, Gestão e engenharias, inclui especialistas e se estende até a esfera do poder público, com estudantes desenvolvendo ações de big data para tornar mais eficazes os processos licitatórios. “Os alunos do 2º ano analisaram o imenso volume de dados do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE) em busca de fraudes em licitações públicas. A análise nos levou a padrões interessantes de comportamento em algumas áreas do TCE, levando a conclusões que podem trazer melhorias no processo de licitações públicas”, diz Oberleitner. 

A graduação da Fiap aborda técnicas como mineração e estruturação de dados, que auxiliam a buscar padrões para tomadas de decisão. Para manter as turmas em sintonia com as mudanças tecnológicas, a cada seis meses a grade curricular é atualizada, com a participação dos professores, que atuam em empresas de tecnologia como IBM, Oracle e Microsoft. “Nos nossos cursos, a colaboração é imprescindível para o processo de aprendizagem. Trabalhamos com várias empresas parceiras que propiciam aos alunos uma imersão no mundo dos negócios. Elas apresentam problemas reais para que os estudantes ajudem no processo de encontrar soluções.”

Sociedade

No Centro Universitário FMU, o curso Tecnológico em Big Data e Inteligência Analítica se vale de plataformas de diferentes empresas como Google, IBM, CISCO e Red Hat para ampliar a experiência dos estudantes com o processamento massivo de dados sob as mais variadas situações.

Além de disciplinas focadas no processamento de dados, o curso traz outras que dão um panorama amplo e estimulam a reflexão sobre as diferentes aplicações do big data, como aulas de comunicação, desenvolvimento humano social e antropologia e cultura brasileira. Assim, ao mesmo tempo em que estuda engenharia de software, estatística e programação, o aluno é apresentado a discussões sobre processo comunicativo em contextos sociais e elementos linguísticos, a constituição da sociedade brasileira em suas dimensões histórica, política e sociocultural e temas ligados a cidadania e sustentabilidade.

Outra preocupação da instituição é garantir que ninguém fique para trás por não dominar conceitos conhecidos por quem é do ramo de tecnologia. “Realizamos cursos de extensão na área de Estatística usando softwares livres como R e Python. Além disso, temos disciplinas com enfoque na prática, que trabalham a análise estatística exploratória de dados envolvendo práticas de programação”, afirma Paulo A. Zapparoli, coordenador do curso da FMU.

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