Márcio Fernandes/Estadão
Márcio Fernandes/Estadão

Experiência e treino levam à aprovação na 2ª fase da Fuvest

Marcada para começar no domingo, prova discursiva exige boa escrita, além de conhecimento; simular o tempo ajuda no controle

Isabela Palhares, Victor Vieira e Paulo Saldaña, O Estado de S.Paulo

04 Janeiro 2016 | 03h00

SÃO PAULO - Esta é a última semana de preparação para os 23,7 mil convocados para a segunda fase da Fuvest. Os três dias de prova começam no domingo, dia 10. Para quem presta pela primeira vez o vestibular da Universidade de São Paulo (USP), a frustração de não passar pode significar o primeiro passo para o sucesso: mais de 60% dos aprovados nos últimos três anos haviam feito a prova em anos anteriores. Já para quem faz sua segunda ou terceira Fuvest, o plano é usar a experiência de anos anteriores para garantir uma vaga.

Chegar à segunda fase não costuma ser tarefa fácil. A estatística da Fuvest 2016 ainda não está disponível, mas, nos três anos anteriores, mais da metade dos convocados já tinha a experiência de terem feito a prova antes.

Entre os candidatos que prestaram o vestibular no ano passado, 22% dos convocados para a segunda fase haviam feito a prova duas vezes ou mais. Dos aprovados, 63% haviam prestado a Fuvest antes. Dos que passaram logo ao fim do 3.º ano, 18% haviam feito a prova como treineiros.

O paranaense Matheus Facio Pires, de 20 anos, chega à segunda fase pela segunda vez. Ele já está na terceira Fuvest. Na primeira vez, não passou da primeira fase. No ano passado, já matriculado em cursinho pré-vestibular, foi convocado para a segunda etapa. Candidato a uma vaga de Direito, o bloco de Matemática foi o maior desafio e ele não foi aprovado.

“Vendo os gráficos depois, o problema maior foi a Matemática. As questões são muito diretas, não têm uma contextualização que pode ajudar a resolver”, diz ele, que se dedicou à Matemática ao longo do ano de olho na segunda fase. “Tem de saber o que caiu e conseguir escrever, não dá para improvisar.”

Nesta segunda etapa, todas as questões são dissertativas. No primeiro dia, tem Português e a redação. Caem no segundo dia (segunda-feira, dia 11) questões de todas as disciplinas e, no terceiro dia (terça, dia 12), apenas questões ligadas à carreira escolhida.

A tática de Pires nesta última semana antes da prova é fazer exercícios, treinar o texto e tentar simular o tempo da prova. “Agora não é hora mais para aprender, já aprendi o que podia. Vestibular é treino, repetição. No ano passado, caíram muitos exercícios parecidos com os que eu tinha feito”, diz ele, que, após a primeira fase, tem estudado sozinho praticamente o dia todo.

Peneira. A dificuldade da peneira que é a Fuvest também se traduz pela quantidade de aprovados que fizeram cursinho pré-vestibular. Entre os aprovados no ano passado, 63% passaram pelos cursinhos. 

Para o educador Mateus Prado, o pequeno porcentual de candidatos que é aprovado na USP sem ter feito cursinho mostra que mesmo as escolas particulares têm dificuldade em preparar os alunos para a Fuvest. “O vestibular deveria medir os conhecimentos do ensino médio, mas para mais da metade dos candidatos essa etapa não tem sido o suficiente.”

Para Prado, a prova da Fuvest tem poucas mudanças de um ano para outro e segue uma tendência em cobrar assuntos parecidos em cada disciplina. “A Fuvest é como competir em uma prova de motocross, quem conhece mais o circuito vai melhor. É uma prova que exige que o candidato a conheça. É preciso se especializar em Fuvest.”

A vestibulanda Juanitha Franco, de 18 anos, tenta a etapa final da Fuvest também pela segunda vez. Ao longo do ano passado, tentou usar a experiência para se preparar. “Aprendi com meus erros. Percebi que precisava treinar mais as questões dissertativas. A falta de controle do tempo para cada pergunta pegou muito. Por isso, estou refazendo as provas anteriores”, conta a candidata ao curso de Direito na capital.

O ritmo de estudos também ficou mais intenso: pausa apenas para o Natal e o réveillon. “Eu me concentrei ainda mais em redação e atualidades neste ano”, afirma Juanitha.

Vinda da escola pública, ela sabe que a disputa com alunos de colégios privados é difícil. “Tento não pensar que estou fazendo uma prova tão concorrida. Estou confiante.” Se a Fuvest falhar, ela já tem um plano B: tentar a vaga pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Neste ano, 13,5% das cadeiras da USP serão preenchidas por candidatos selecionados pela nota na prova federal.

Preparo. A orientadora educacional do Cursinho da Poli, Alessandra Venturi, lembra que, agora, não basta ter o conhecimento, é preciso saber escrever. “Às vezes o aluno sabe a resposta e não consegue traduzir em palavras. Por isso, nesta última semana, é importante trabalhar as questões dissertativas, pegar a última prova e fazer no mesmo tempo do exame”, diz a professora. “Como as questões são discursivas, as respostas podem não estar 100% corretas, mas, se estão próximas, podem ajudar na pontuação.”

Português e redação valem um terço da nota

A prova de Português e a redação, feitas no primeiro dia da segunda fase da Fuvest, equivalem a cerca de um terço do peso da nota final e são apontadas como o principal diferencial em cursos concorridos da Universidade de São Paulo (USP). Segundo levantamento do cursinho Poliedro, em alguns cursos a redação equivale a 13% da nota e Português, a 18%.

Os resultados mostram que a prova de Português para quem concorre a uma vaga em Engenharia na Poli, por exemplo, tem peso de 18%, maior na nota final do que Matemática, que corresponde a 14%, ou Física, 15%. Para quem presta Medicina, o que mais influencia a nota também é a prova de Português, 17%, seguida de Biologia, Química e Física, que equivalem a 15% da nota final cada. Já a redação, a 13%. Para quem presta Direito, a prova de Matemática corresponde a 14%, mesmo porcentual de História.

“A primeira fase é padrão para todo mundo, mas, na segunda fase, há o diferencial para cada área. O que às vezes acaba levando o aluno à ilusão de que ele deve focar mais nas disciplinas de sua área”, diz Francisco Zanella Peres, coordenador do Poliedro. “O aluno competitivo tem de ter o diferencial nas outras disciplinas.”

De olho nisso, a estudante Giovanna Siunte, de 18 anos, que vai prestar a segunda fase da Fuvest pela segunda vez para tentar uma vaga em Engenharia Civil, mudou a estratégia. “Para a prova deste ano me dediquei muito mais às matérias de humanas, que são as que tenho menos facilidade”, diz ela, que não deixou as disciplinas de exatas de lado.

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