Exame exigiu leitura, mas quandidade de gráficos e imagens no enunciado foi menor

Opinião é de professores de cursinho consultados pelo Estadão.edu

Carlos Lordelo, Estadão.edu

06 Novembro 2010 | 22h48

A prova do Enem aplicada neste sábado, 6, exigiu muita leitura e capacidade de interpretação de textos dos candidatos, mas a quantidade de imagens, gráficos e mapas foi menor do que no ano passado. A avaliação é de professores de cursinhos pré-vestibulares ouvidos pelo Estadão.edu.

 

Os 4,6 milhões de inscritos tiveram quatro horas e meia para responder a 45 questões de Ciências Humanas (geografia, história, filosofia e sociologia) e outras 45 de Ciências da Natureza (física, química e biologia).

 

O professor de física do Objetivo José Carlos afirma que a prova teve 14 questões de "física pura", sem exigir conhecimentos interdisciplinares. "Física tem muitos pontos de contato com biologia e química. As três matérias poderiam ser melhor trabalhadas juntas", diz.

 

Marcelo Fonseca, coordenador de física do Etapa, se diz "triste" com o rumo que o Enem tomou. "Das 14 questões, 7 eram sobre energia. Este não é um caminho adequado. Fazendo isso, você deixa de lado diversos conceitos. É uma distribuição péssima de assuntos. Falta diversidade."

 

Poluição das águas e dos solos, viroses como a febre amarela e biotecnologia foram temas recorrentes na prova de biologia. Para o professor do CPV João Francisco Tamayo, o Enem adequou temas contemporâneos à necessidade de uma boa base de conteúdo. “A prova era para um candidato bem preparado, mas não estava difícil”, pontua.

 

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Na opinião do professor de química do Objetivo Ricardo de Abreu Costa, a prova foi cansativa por causa dos longos textos. "O MEC poderia pensar em dividir o Enem em quatro dias, um para cada prova. Desta maneira, poderia avaliar melhor todas as áreas."

 

CIÊNCIAS HUMANAS

Professores de História destacam o fato de o conteúdo de história geral ter sido explorado em apenas 4 questões. "Houve uma ênfase muito grande em história do Brasil e da América, sempre valorizando a questão social", conta Selma Rofino, do Objetivo. Para Daniel Gomes de Carvalho, do CPV, "os assuntos clássicos da história brasileira como a terra, o trabalho e o índio, foram trazidos à perspectiva atual de maneira coerente".

 

A avaliação sobre a prova de geografia é semelhante - o privilégio a questões nacionais. "Acho que a geografia geral podia ter sido mais valorizada", aponta Alex José Perrone, do CPV. Vera Lucia da Costa Antunes, do Objetivo, comenta que o teste exigiu muita leitura e interpretação.

 

"Não são questões dadas ‘de graça’. Tem questões dadas de presente, mas tem outras que requerem preparo e conhecimento”, aponta.

 

Para José Maurício Mazzucco, professor de filosofia e sociologia do Objetivo, é importante o Enem dar espaço a assuntos como ética. "A Unesp fez uma belíssima prova de filosofia. Fico feliz que o Enem também caminhe nessa direção."

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