Exame da Fuvest não teve grandes surpresas, comentam professores

"Sem grandes surpresas." É como o professor de português Fernando Teixeira de Andrade, do Objetivo, definiu a prova de Português da Fuvest.O foco principal, como nos outros anos, se manteve nas questões de "leitura, compreensão e articulação de idéias." Para Andrade, o exame foi "interessante", graças aos textos utilizados. Ele destacou os testes 9 e 10, referentes à obra de Luís Fernando Veríssimo: "Foram perguntas inteligentes e bem-formadas", disse Andrade. Quanto ao grau de dificuldade, a prova foi "um pouco mais leve que a do ano passado e não envolveu grande complexidade." Veja, no link "prova comentada" o exame resolvido pelos professores do Curso e Colégio Objetivo. A prova foi uma das mais trabalhosas da Fuvest, com questões de média e grande dificuldade, segundo o professor de física do Objetivo Newton Villas Boas. ?Estava mais difícil que a do ano passado.? De acordo com Villas Boas, o que tornou a prova mais complexa foi o fato de ser necessário passar por várias etapas dentro de uma mesma questão para chegar à resolução. Para ele, ?vários tópicos foram abordados simultaneamente?. A questão 63, da versão V, foi a mais trabalhosa, na opinião de Villas Boas. ?O conhecimento de fórmulas não foi determinante para resolver o exame?. disse. A mecânica foi o tópico mais abordado na prova, seguido por eletricidade. Bem elaborada, calcada principalmente no raciocínio, a prova de geografia foi considerada ?bastante inteligente?, pela coordenadora do curso de geografia do Objetivo, Vera Lúcia da Costa. Um bom exemplo foi a primeira questão, sobre os Lençóis Maranhenses. ?Um tema atual aplicado à geografia?, destacou. A questão sobre a China também mereceu elogios, por exigir conhecimentos históricos sobre o país. O único problema deveu-se a um erro de informação no enunciado, destacando a China como o segundo maior país do mundo em área. Na realidade, é o terceiro. ?Mas o erro não altera a resolução?, alertou Vera Lúcia. Para Antônio Mauro Sales, professor de química do Objetivo, a prova apresentou dificuldade média, apesar de três das questões serem, na sua opinião, de fácil resolução. Em relação ao ano passado, a avaliação ?manteve seu nível? e não houve margem para dupla interpretação. ?O exame foi realmente bem elaborado.? No entanto, duas questões trouxeram novidades este ano. ?Na prova passada, a Fuvest incluiu no programa ciclos biogeoquímicos e isso caiu agora.? Outro diferencial foi o aumento na porcentagem de testes sobre química orgânica. ?Geralmente, ocupam 30% da prova. Neste ano, tomaram 40%.?A prova de matemática não se deteve a assuntos específicos e não conseguiu abranger todo o programa anunciado. Como o restante das disciplinas deste ano da Fuvest, o exame de matemática teve por base o raciocínio. O professor de matemática do Objetivo Gregório Krikorian achou a prova ?bem feita, tradicional e básica?. Segundo ele, ?era preciso entender o texto e o problema? para resolver as questões. Krikorian ainda destacou a questão de progressão geométrica, ?muito original, que parecia um labirinto? e outro teste que consistia basicamente em uma conta de dividir. ?Mas faltou aparecer questões de trigonometria?, disse o professor. O exame de história não causou surpresa para os candidatos da Fuvest neste ano, na opinião do coordenador de história do Objetivo, Francisco Alves da Silva. Ele acredita que, comparadas ao ano passado, as questões eram mais fáceis, já que não cansaram o aluno, nem exigiram do vestibulando muito tempo. O coordenador criticou, porém, a quantidade de testes sobre o Brasil-Colônia ? três das seis questões de história do Brasil ? e a displicência com o período republicano nacional (tema de uma questão somente, sobre o início do século 20). Para Alves, trata-se de uma distribuição mal-feita. Cristina Armaganijan, professora de Inglês do Objetivo, afirma que a prova deste ano foi tranqüila e até menos cansativa que a do ano passado. Seguindo a tendência dos vestibulares atuais, todas as questões remetiam, na sua visão, a conhecimentos de texto e vocabulário ? houve apenas uma questão gramatical, entre todas. As alternativas eram um pouco capiciosas e privilegiaram o aluno que tem fluência de leitura. No entanto, as dificuldades de compreensão não foram capazes de deter os vestibulandos com nível médio de conhecimento, para a professora.

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