Exame da Fuvest está menos concorrido

Neste ano, 1/4 das carreiras tem menos de 5 candidatos por vaga, um record. Cursos da USP Leste estão na lista

Fábio Mazzitelli, Jornal da Tarde

17 Novembro 2009 | 12h36

Uma em cada quatro carreiras oferecidas pela Universidade de São Paulo (USP) no exame deste ano da Fuvest tem menos de cinco candidatos por vaga. São 30 das 104 carreiras de graduação da instituição (28,8%) com baixa concorrência. A primeira fase será no domingo. A maioria desse grupo é de cursos de licenciatura, que formam professores – incluindo as duas carreiras de Pedagogia oferecidas pela USP (veja quadro abaixo). O número de carreiras com baixa procura neste ano, divulgado ontem pela coordenação da Fuvest, é 50% maior do que no ano passado, quando só 20 delas tiveram menos de cinco candidatos por vaga.   O aumento de carreiras com baixa procura é mais significativo se comparado com o início da década. Na Fuvest de 2002, cinco carreiras tinham até cinco estudantes para cada vaga oferecida. No vestibular de 2003, esse número foi para nove e, no ano seguinte, ficou em oito. Para 2010, a USP oferece 10.607 vagas. Inscreveram-se 128.155 estudantes. Nos últimos anos, o número de inscritos na Fuvest caiu de 170 mil, recorde histórico de 2006, para os 128 mil na Fuvest de 2010. Uma das razões usadas para explicar essa queda é o Programa Universidade para Todos (Prouni), do governo federal, que oferece vagas gratuitas a estudantes de baixa renda em universidades particulares. De acordo com a diretora executiva da Fuvest, Maria Thereza Fraga Rocco, a queda do número de inscritos na Fuvest nos últimos anos teve impacto maior nas carreiras menos concorridas do que nas tradicionais, como Medicina, Direito e engenharias. "Isso não se explica só pelo ProUni. Há historicamente carreiras menos procuradas", afirma. "Não tenho todas as explicações, tenho hipóteses. Pela dificuldade de mobilidade urbana, o estudante pode achar mais fácil fazer faculdade perto da residência e do trabalho." Alguns dos cursos menos procurados estão na USP Leste, um braço da Cidade Universitária criado há seis anos para, entre outros objetivos, atender à população da região mais populosa da capital. "Não sei se as pessoas conhecem o que é uma universidade e não sei se conhecem bem a USP. Será que todo mundo sabe o que são os cursos da USP Leste?" Maria Thereza avalia que a falta de atratividade para virar professor pode ter contribuído para a baixa procura de Pedagogia e dos cursos de licenciatura. "Tenho a impressão de que as pessoas não estão querendo muito ser professores no momento, porque as condições de trabalho não são as mais adequadas", afirma. Para a diretora da Faculdade de Educação, Sonia Penin, um processo de autoexclusão dos alunos da rede pública contribui para aumentar as carreiras com baixa procura na universidade. "Há várias explicações. Houve uma expansão dos cursos e um aumento de vagas na universidade", afirma. Assessora da Pró-Reitoria de Graduação, Maria Amélia de Campos Oliveira lista a busca por uma inserção rápida no mercado de trabalho e uma possível falta de compreensão das propostas dos cursos da USP Leste como duas das explicações para o fenômeno. "Há uma clara busca, por parte desses estudantes, por cursos com empregabilidade mais imediata e promissora. A USP, entretanto, como uma universidade de ponta, ousa propor e manter cursos que não têm um apelo mercadológico imediato." Leia mais: Fuvest divulga locais de prova Na preparação para o vestibular, olho em biologia e geografia

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.