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Ex-diretora da Unifesp é acusada de racismo

Regina Célia Spadari teria expulsado alunas negras de laboratório; sete estudantes foram convocados para depor

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

08 Agosto 2015 | 03h00

Sete estudantes da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em Santos, foram convocados para depor na próxima semana na Polícia Federal sob a acusação de terem pichado a parede da diretoria da instituição de ensino. Os grafites acusam a ex-diretora da unidade Regina Célia Spadari de racismo, depois de ela ter se envolvido em um desentendimento com alunos. 

O episódio, registrado pela própria diretora na PF, também está sob apuração da Unifesp, que instaurou sindicância.

O problema aconteceu em novembro do ano passado, durante os eventos da Semana da Consciência Negra da instituição. As frases foram pichadas nos muros, no chão e na porta da diretoria um dia depois de uma discussão entre os alunos - seis do curso de Serviço Social e um de Educação Física - e a ex-diretora pelo uso de um laboratório de informática.

Regina é acusada de racismo por ter questionado duas estudantes negras sobre se eram alunas e exigir delas identificações, depois de pedir que todos os que não fossem estudantes de lá saíssem do local. As estudantes reclamam que houve "insistência", mesmo depois de mostrar a documentação.

Na ocasião, ocorria na universidade uma atividade em que participavam tanto estudantes como moradores da comunidade. Parte das pessoas que estavam no local utilizava os computadores e era acompanhada por funcionários.

Ao Estado, Regina disse que nunca cometeu nenhum ato racista. “Eu fui à polícia porque temia pela minha segurança e da minha família. Fui hostilizada e fizeram protestos contra mim na frente da universidade”, contou.

Ela relatou ter sido acionada pelo chefe do setor de informática para confirmar a permissão da presença de adolescentes que estavam usando os computadores. Ao constatar que não havia nenhuma atividade prevista no local, Regina pediu que todos que não fossem alunos saíssem.

Um vídeo gravado por estudantes e publicado na internet mostra que, após parte do grupo deixar a sala, Regina pede a identificação das duas alunas negras, que estavam na primeira fileira. Uma outra aluna, que estava ao lado delas, foi ignorada, segundo a diretora, porque já era “conhecida”. Os gritos chamando a gestora de racista começaram naquele momento. Ao notar o barulho, funcionários e professores entraram na sala e tentaram pacificar a briga. A ex-diretora acusa dois estudantes de terem feito a pichação. Eles negam.  

Primeira vez. A estudante do 3.º ano de Serviço Social Tatiane Souza Santos, de 30 anos, foi uma das alunas abordadas pela ex-diretora e diz ter sofrido racismo no episódio, no ano passado. “Foi a primeira vez que aconteceu (racismo) comigo, mas já impediram um amigo negro de entrar na universidade porque ele estava sem crachá”, contou.

Ela nega envolvimento na pichação contra a reitora e relata ter ido direto para a delegacia registrar boletim de ocorrência e, em seguida, para casa no dia da discussão. Segundo Tatiane, ela e a outra colega estavam na sala de informática para elaborar um trabalho. 

A ex-diretora Regina foi substituída no início deste ano depois de ter cumprido o tempo do mandato.

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