Ex-professor hoje é policial civil

Foram 14 anos de magistério na rede estadual de São Paulo. Elton Costa deu aulas, foi diretor, coordenador e voltou às salas. ‘As coisas não iam melhorar’, conta

Paulo Saldaña,

31 Agosto 2013 | 18h03

Criado em uma família em que mãe, tia e o irmão mais velho são professores, Elton Costa não teve dúvida na hora de decidir qual carreira seguiria. "Eu tinha como ideal ensinar", conta ele, hoje com 36 anos, formado em Letras e Pedagogia. Foram 14 anos de magistério na rede estadual de São Paulo. Costa deu aulas, foi diretor, coordenador e voltou às salas. Mas, segundo ele, a experiência só reforçou uma certeza: "As coisas não iam melhorar".

Costa deu uma guinada na vida profissional quando passou no concurso para a Polícia Civil. Trocou o giz e a lousa pela arma e a viatura em 2012. Não demonstra nem uma ponta de arrependimento.

"Cheguei em uma situação de autoestima tão baixa, a ponto de achar que meus filhos pudessem ter vergonha do que eu era", conta. "Por causa da situação precária da carreira, salário baixo e falta de respeito que sentia na escola, decidi sair. E digo que foi até fácil decidir."

Costa mora em Tupã, cidade a 513 km da capital paulista, e hoje é investigador. Segundo ele, ganha R$ 1 mil a mais do que recebia quando saiu da rede estadual – apesar de, na época, trabalhar em três escolas em cidades diferentes. "Com esse salário e nessas condições é impossível se sentir realizado."

Segurança. Costa conta que sempre perguntam para ele se não teve medo de se tornar policial. E ele responde sempre que na outra profissão era pior. "Medo eu tinha antes, quando era professor. Passei 14 anos trabalhando contra 35 alunos, sozinho. Na rua estou armado e com meu parceiro", diz. "O professor é um herói e está sendo estraçalhado. Tem de ser psicólogo, assistente social, mediador de conflito e, por último, ensinar."

Mesmo relatando as dificuldades de enfrentar violência nas escolas e assumir mais do que a função de dar aula, ele lembra que o professor acaba nem sendo o principal prejudicado desse arranjo. "O aluno é a maior vítima dessa situação."

 

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