Ex-ministro ameniza críticas ao novo sistema de avaliação

O ex-ministro da Educação e criador do Provão, Paulo Renato Souza, amenizou sua crítica sobre o novo sistema de avaliação. Ele havia ficado indignado quando uma comissão entregou a Cristovam Buarque um projeto inicial, em setembro. "Agora melhorou, porque mantém o Provão e permite a comparação entre os cursos."O ex-ministro não vê problemas no fato de as áreas serem avaliadas de três em três anos. "Mas a nota deve constar do histórico escolar do aluno." Segundo ele, isso força o comprometimento do estudante com a prova. "Caso contrário, se o empregador eventualmente pedir a nota no Provão, ele pode alegar que sua área não foi avaliada nesse ano."Conceitos separadosNo novo sistema, o Índice de Desenvolvimento do Ensino Superior (Ides), englobando avaliação de professores, aluno, capacidade institucional e envolvimento do curso com a realidade. "Se tudo for misturado, não será possível saber como está a qualidade do ensino", diz a presidente do Núcleo de Estudos do Ensino Superior da Universidade de São Paulo (Nupes), Eunice Duhan.Para ela - e também para Paulo Renato -, o MEC pode divulgar um índice geral, desde que informe também os conceitos de cada tópico separadamente.FaculdadesA presidente da Associação Nacional de Faculdades e Instituições Superiores, Naíra Rosana Amaral, diz que o novo sistema respeitará a individualidade de cada instituição. "Não dá para comparar uma faculdade isoladas com uma grande universidade."Ela conta que os alunos chegam com sérias dificuldades e as faculdades isoladas os trasnformam em mão-de-obra útil para o mercado de trabalho.Para o presidente da Associação Nacional das Universidades Particulares, Heitor Pinto Filho, o sistema avaliará com "dignidade" os cursos. O antigo, diz, não distinguia os alunos que chegam à universidade com deficiência daqueles com estrutura cultural melhor. "Os que trabalham e estudam de noite estão na iniciativa privada."FederaisA presidente da Associação Nacional dos Dirigentes de Instituições de Ensino Superior (Andifes), Wrana Panizzi, aposta que o sistema "não vai mostrar o que as universidades não são", mas não veio para "apequenar" as federais. Ela saiu do MEC satisfeita com a resposta do ministro de que o objetivo é definir como cada instituição pode melhorar o ensino.Na Universidade de Brasília (UnB), o diretor do Núcleo de Estudos do Ensino Superior, Carlos Benedito Martins, afirmou que a proposta vai "aperfeiçoar o sistema" porque permitirá uma produção maior de informações sobres os cursos.

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