EUA voltam a atrair estudantes

Os Estados Unidos começam a recuperar os estudantes estrangeiros que passaram a optar por outros destinos depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 e do conseqüente aperto na concessão de vistos. Neste ano, aumentou pela primeira vez o número de alunos inscritos para cursar faculdades no país. No Brasil, foram dados 22 mil vistos americanos de estudantes em 2005, 24% a mais que o total de 2004. Nos primeiros meses de 2006, o número de vistos também foi superior ao registrado pela Embaixada Americana no ano passado. A sensação atual de segurança foi ajudada - e muito - pela desvalorização do dólar desde agosto de 2004 no Brasil. Os custos em reais para quem quer estudar por lá caíram 27%. Mas consulados e outros órgãos ligados ao governo americano também têm se esforçado para mostrar que os Estados Unidos fazem questão de receber estudantes estrangeiros. Uma campanha lançada em 2005 - o slogan é "Estude nos Estados Unidos" - tem percorrido universidades e escolas com o objetivo de mostrar que não é difícil conseguir cursar inglês, graduação ou fazer intercâmbios no país. "A gente leva o responsável pelos vistos do consulado até os estudantes para dizer que ele é prioridade", explica a coordenadora de orientação educacional da Comissão Fulbright no Brasil, Rita Moriconi. A organização é ligada ao Departamento de Estado Americano e promove o intercâmbio entre Estados Unidos e outros países. A prioridade que Rita fala começou no ano passado, com agendas de entrevistas para estudantes separadas das dos turistas. Os alunos estrangeiros renderam à economia americana US$ 13,3 bilhões no ano passado, segundo estimativas do Institute of International Education (IIE), entidade não governamental que congrega o setor. As últimas pesquisas mostravam que havia mais de meio milhão de alunos estrangeiros nos EUA no ano letivo 2004/2005, 1,3% a menos no que no anterior. Mas o número de inscritos de fora do país para as universidades americanas, cujas aulas começam em setembro, já cresceu 11%. O Brasil é o 14.º país que mais envia alunos. Rigidez nos vistos A facilidade em conseguir visto de entrada foi apontada por 65% dos agentes de viagem que trabalham com educação internacional no Brasil como fator de maior importância na escolha do destino na última pesquisa feita pela Brazilian Education & Language Travel Association (Belta), que agrupa empresas do setor. O item só foi considerado menos importante que o custo do curso. Depois dos atentados de 11 de setembro, as autoridades americanas criaram regras mais rígidas para concessão de vistos, que incluíam identificação digital, entrevistas e fotografias dos estrangeiros que chegavam ao país. As normas vêm sendo abrandadas com o tempo. Em maio, por exemplo, o consulado deve deixar de exigir entrevistas para renovações de vistos de turistas recentes. Com a queda do mercado americano nos últimos anos, ganharam força principalmente outros países de língua inglesa, como Canadá, Austrália, Nova Zelândia e Reino Unido. "No Canadá, surgiram novas escolas de inglês para estrangeiros e, com a competitividade, baixaram os preços", diz Tatiana Visnevski Mendes, presidente da Belta. Segundo ela, a Austrália, além do clima parecido com o do Brasil, tem atraído jovens também por permitir que eles trabalhem depois de algumas semanas no país. "Os Estados Unidos têm se esforçado recentemente para recuperar alunos", diz Tatiana. Denis Lima, de 20 anos, acha que agora é a hora ideal para a viagem. "O dólar baixou e acabou a preocupação com o terrorismo", diz o estudante, que embarca em abril e pretende ficar um mês em Nova York, um em Los Angeles e um em Orlando, aprendendo inglês. Em 2005, 55 mil brasileiros viajaram para estudar no exterior, um número 30% maior que o de 2004. Segundo dados do consulado americano, 90% dos que vão ao país querem estudar inglês - o restante procura cursos de graduação ou pós. Para o chefe da sessão de vistos em São Paulo, William Davies Sohier, a demanda crescente nos Estados Unidos por moças para trabalharem em programas de au pair - que atuam como babás, mas recebem visto de estudante porque também estudam - ajudou a recuperar o mercado.

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