EUA: Universidade cria bolsa Ruth Cardoso para professores

'Ruth tem lugar especial no coração da Columbia University', disse o presidente da universidade

Nalu Fernandes, da Agência Estado,

09 de abril de 2009 | 19h30

A ex-primeira-dama Ruth Cardoso recebeu homenagem póstuma nesta quinta-feira, 9, na Columbia University, em Nova York , com a criação de uma bolsa para professores visitantes que leva seu nome e será destinada a docentes brasileiros. "Ruth tem lugar especial no coração da Columbia University. Ela estudou com bolsa Fulbright aqui e sempre falou com gratidão sobre a experiência", disse o presidente da universidade, Lee Bollinger, durante a cerimônia chamada "Ruth Cardoso: Um tributo".

 

A bolsa tem duração total prevista de cinco anos. Neste período, a cada ano virá um cientista social do Brasil, com apoio da comissão Fulbright no País, para ensinar e fazer pesquisa na Columbia University, em Manhattan. "A bolsa é uma forma de honrar o legado de Ruth Cardoso. O primeiro a receber a bolsa chegará em setembro", acrescentou Bollinger. O valor da bolsa será de US$ 5 mil, observou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que discursou na cerimônia. O governador de São Paulo, José Serra, deverá encerrar o evento ainda nesta noite.

 

Participaram do anúncio da bolsa o diretor executivo do Instituto de Estudos Latino-Americanos e do Centro de Estudos Brasileiros da Columbia, Thomas Trebat, e o professor de Relações Públicas e Internacionais e também diretor do Centro de Estudos Brasileiros na universidade, Albert Fishlow. "Ruth foi uma verdadeira acadêmica, com interesse em promover mudança positiva na sociedade", disse Fishlow, ao destacar que a ex-primeira-dama, antropóloga de formação, criou o programa "Comunidade Solidária", em 1995, quando seu marido assumiu a Presidência.

 

Ao discursar durante o evento, FHC classificou como "impressionante" a forma pela qual a memória de Ruth tem sido "preservada e honrada desde sua morte. "Podíamos ter dificuldade em imaginar a influência que realmente teve entre amigos, professores e pessoas. Não sei onde ela está agora, mas provavelmente ela estará extremamente surpresa", brincou.

 

Ele aproveitou a oportunidade para contar um episódio na vida da ex-primeira-dama, com objetivo de ilustrar a versatilidade de Ruth no contato humano. Em uma visita à Amazônia, contou o ex-presidente, a então primeira-dama viajava em um navio da Marinha brasileira, mas ao se aproximar de um vilarejo pediu para que seu desembarque fosse feito em um barco de porte menor para não intimidar a população ribeirinha. "Ela começou a andar pelo local e a conversar com as pessoas sem ser reconhecida. Então, por causa da presença de equipe de televisão, uma jovem suspeitou e disse para alguém que aquela que se aproximava era a mulher do presidente. A outra pessoa respondeu: 'Impossível, este tipo de gente não anda (a pé)', narrou FHC. Esta história, na visão de Fernando Henrique, mostra a responsabilidade de Ruth "como esposa do presidente, antropóloga e uma pessoa preocupada com o ser humano".

 

Fernando Henrique disse que esta é a primeira vez que falou de forma mais ou menos "calma" sobre a esposa desde o falecimento no ano passado. "Talvez seja porque estou falando em inglês e não em português", afirmou.

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