EUA, França, Espanha e China aplicam exames

Assim como no Brasil, nesses países a prova também tem mais de uma função

24 de setembro de 2013 | 08h36

A proposta de um exame nacional que avalie e certifique habilidades dos alunos não é exclusividade brasileira. Na China, testes padronizados existem desde o século 7.º. Em outros países - como EUA, França e Espanha -, provas servem simultaneamente como medidoras de qualidade da educação secundária e filtro para definir o ingresso em cursos universitários, como no Brasil. 

 

A experiência estrangeira também revela dificuldades para combater falhas. Uma das últimas mudanças no sistema americano foi a exigência de foto na inscrição para que um candidato não faça o teste no lugar de outro.

 

Estados Unidos. Criado há mais de um século, o Scholastic Aptitude Test (SAT) é a prova mais tradicional de seleção para as universidades dos Estados Unidos e é feita por cerca de 75% dos jovens que saem do ensino secundário. Com questões dissertativas e de múltipla escolha, há sete edições do exame a cada ano. O teste avalia competências básicas, como leitura crítica, matemática e escrita, e é corrigido pelo sistema de Teoria de Resposta ao Item, assim como o Enem. Entre outras provas com propostas semelhantes no país, há também o American College Test (ACT), lançado em 1959. A prova é aplicada anualmente e testa inglês, matemática, leitura e ciências.

 

França. Os primórdios do modelo francês de avaliação surgiram ainda na Idade Média. Em 1808, se consolidou o Baccalaureát, um teste oral sobre autores clássicos para poucos candidatos - apenas 3% dos alunos que concluíam o ensino secundário prestavam o exame. Somente na segunda metade do século seguinte a prova deixou de ser tão elitista e passou a contar com representantes de outras classes. Popularmente conhecido como Le Bac, hoje ele é uma mistura de modelo de avaliação complexo e vestibular. O exame é dividido em três categorias, de acordo com os interesses do candidato: profissional, geral e tecnológica.

 

Espanha. A Prova de Acesso à Universidade é uma das portas de entrada para o ensino superior espanhol desde a reforma educacional dos anos 1980. As instituições têm autonomia para adotar o exame, aplicado duas vezes por ano, na seleção. A escolha de curso ou instituição depende do desempenho do candidato. Há uma fase geral, obrigatória, e outra voluntária, que dá a chance de subir a nota. Na primeira etapa são feitas provas de espanhol, língua estrangeira, história ou filosofia e outra disciplina do curso secundário à escolha do aluno. Diferentemente do Brasil, as normas vetam a divulgação de médias por escolas baseadas nos resultados dos alunos.

 

China. O Enem só perde para o Gaokao em número de participantes - na última edição, a prova chinesa teve mais de 9 milhões, ante 7,1 milhões no Brasil em 2013. O teste dura mais de um dia, tem diferenças de acordo com o território onde é aplicado e boa parte das províncias faz seu próprio material com base nas diretrizes do governo. A China tem um sistema unificado de vagas, e o candidato pode escolher uma faculdade de qualquer lugar do país. Após problemas de fraudes, a preocupação com o sigilo aumentou: há revistas dos candidatos e bloqueio de sinais de celulares, além de isolamento dos elaboradores da prova no mês anterior ao exame.

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