Cedê Silva/AE
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EUA estão de olho no Estatuto da Igualdade Racial e no Bolsa-Família

Secretária adjunta Russlynn Ali está no Brasil chefiando delegação de reitores americanos

Cedê Silva, Especial para o Estadão.edu

29 Agosto 2011 | 21h20

O governo dos Estados Unidos está interessado no Estatuto da Igualdade Racial brasileiro e no programa Bolsa-Família. A declaração é de Russlynn Ali, secretária-adjunta para Direitos Civis do Departamento de Educação americano. Em visita nesta segunda-feira, 29, à Faculdade Zumbi dos Palmares, em São Paulo, ela chamou a instituição de "exemplo para o Brasil" pelo seu papel em formar líderes. Russlynn está no início de um tour de uma semana pelo Brasil e vai a Brasília na terça-feira, chefiando uma delegação de reitores de universidades americanas historicamente negras, que vieram anunciar programas de intercâmbio e outras parcerias com os brasileiros.

A secretária lembrou que a Suprema Corte americana não permite cotas e bônus como existem no Brasil, mas considera constitucional que universidades levem a raça como fator para selecionar seus alunos. Práticas de ação afirmativa, na opinião da secretária, devem vir acompanhadas da construção de consenso e de "vontade cívica" para não gerarem efeitos colaterais, como controvérsias políticas.

Políticas públicas, diz a secretária, não podem ser automaticamente replicadas em outros países, mas experiências de outros governos também não podem ser descartadas de imediato.

Russlynn afirmou acompanhar o trabalho do Supremo Tribunal Federal (STF), que ainda vai tomar uma decisão sobre a legalidade das cotas raciais. Ela considera que as políticas de ação afirmativa geraram progresso real nos Estados Unidos, mas que ainda há trabalho a fazer.

Não é a primeira vez que uma autoridade americana visita a Faculdade Zumbi dos Palmares. Em março de 2010, a secretária de Estado, Hillary Clinton, respondeu a perguntas dos alunos sobre educação, ações afirmativas e diversidade.

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