EUA atraem menos brasileiros; Londres mantém tradição

Quando o assunto é estudar no exterior, as preferências dos brasileiros oscilam principalmente em função do custo-benefício e da curiosidade por países quase inexplorados. Foi assim na febre da Oceania, no final da década de 1990. Os Estados Unidos já reinaram, mas acabaram despencando no ranking depois do 11 de Setembro de 2001, quando o país fechou as portas para muitos turistas e estudantes. Só muito lentamente os brasileiros estão voltando a se interessar pelo Tio Sam.Londres, entretanto, continua sendo a opção mais tradicional quando o estudante procura conciliar o curso de inglês com o trabalho remunerado e ainda conseguir um dinheiro extra para viajar pela Europa. O intercambista sai do Brasil com a garantia do curso, enquanto para ir aos Estados Unidos o jovem acerta primeiro o lugar onde vai trabalhar e só procura uma escola quando chega no país.Em Londres, os cursos mais procurados são os de duração de um ano. Estudos intensivos, de um ou dois meses, não são recomendados em função da burocracia para obter o visto (que demora cerca de 80 dias) e o custo elevado. As passagens variam entre US$ 750 e US$ 950 (baixa temporada) e de US$ 950 a US$ 1.300 (em alta), mais a taxa de embarque, de R$ 350. O curso de nove meses pode sai por £ 1.200 (R$ 4.560).Vladimir Koscina, diretor da BLS Consultoria de Línguas Estrangeiras, que trabalha com intercâmbio para Londres, diz que cerca de nove entre dez jovens buscam o curso de inglês, mas o trabalho é a grande preocupação. "Até mesmo estudantes de classe média alta querem trabalhar para conseguirem se manter. É uma forma de buscar a independência dos pais."A libra é uma moeda forte na Europa, em média R$ 3,80, e o dinheiro que eles conseguem juntar trabalhando é suficiente para visitar outros países. A preocupação, diz Koscina, é com os gastos iniciais: passagem, curso de inglês e seguro. "Muitos fazem enormes esforços para custear a viagem, como empréstimos no Brasil. A dívida acaba sendo paga na volta."Estados UnidosPara quem pretende trabalhar e praticar o inglês, a melhor opção ainda é os Estados Unidos. Segundo Cláudia Martins, diretora de marketing da STB, o programa Au Pair é o mais procurado entre os público feminino. A garota passa um ano morando em uma casa de família, cuida das crianças, recebe uma remuneração de US$ 139, mais bolsa auxílio de US$ 500 para estudar e tem direito a duas semanas de férias. O custo inicial é de US$ 980.Outra opção da empresa é o STB Work, destinado a universitários de 18 a 28 anos para trabalhar no país entre os meses de novembro a abril. Como nesta época é inverno por lá, em resorts e estações de esqui estão as principais oportunidades, com remuneração de US$ 5 e US$ 10 por hora. O investimento inicial é de US$ 1.290. Neste programa, os empregadores vêm até o Brasil, apresentam as ofertas e selecionam os candidatos.Nos dois casos, o curso de inglês é escolhido e pago somente quando o jovem brasileiro chega aos Estados Unidos. Ou seja, a garantia é só do emprego, ao contrário de Londres.British Council http://www.britishcouncil.org/br/brasilConsulado dos Estados Unidos em São Paulo http://www.embaixada-americana.org.br/index.php?itemmenu=166&submenu=111&action=saopaulo.php

Agencia Estado,

19 de abril de 2006 | 14h48

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